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ESPECIAL: CineBR – Diretoras Nacionais – Parte 03

Atualizado: 14 de nov. de 2021

O mundo é delas, todo mundo sabe e no cinema não seria diferente, conheça o trabalho das nossas grandes diretoras de cinema.

Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert, 2015) | Em cena: Val (Regina Casé) e Fabinho (Michel Joelsas)
 

CineBR - Diretores Brasileiros é uma série especial de publicações do Portal Dossiê etc, escrita por Cleber Eldridge, com edição de Antonio Pedro, sobre os diretores e diretoras que pavimentaram a estrada do cinema nacional.


Mais do que um conteúdo especial, essa série é mais um resultado do compromisso que a Revista Dossiê etc tem de promover a cultura nacional. Esperamos que goste de mais esse resultado.

 

O cinema brasileiro tem assistido uma ocupação cada vez mais feminina e não poderia fazer diferente, nos últimos anos uma gama de diretoras tem entregado trabalhos brilhantes, muitos deles são sucessos de crítica e de público e cá estamos nós para celebrar nossas excelentes diretoras do cinema nacional.


Daniela Thomas, durante muito tempo ficou às sombras de Walter Salles, ela codirigiu Terra Estrangeira (1996), O Primeiro Dia (1998), Paris, Te Amo (2006) e Linha de Passe (2008), mas se desvencilhou de seu parceiro e seguiu carreira solo com grandes trabalhos; Vazante(2017) foi selecionado para o Festival de Berlim, seu trabalho seguinte O Banquete (2018) não agradou tanto a crítica, mas Daniela tem créditos de sobra por sua linda carreira no teatro e no cinema, não só de diretora, mas também de roteirista e cenógrafa da melhor qualidade.

O Banquete (Daniela Thomas, 2018) | Em cena: Bia (Mariana Lima), Nora (Drica Moraes), Lucky (Gustavo Machado) e Maria (Fabiana Gugli)

Como o cinema é um ambiente, ainda, muito machista e com um número de mulheres, ainda, limitado em cabeças de equipe, mas isso está mudando. Juliana Rojas era uma diretora que seguia os passos de Marco Dutra, co-dirigiu Trabalhar Cansa (2011) e As Boas Maneiras (2017) – entre um trabalho e outro, ela se arriscou nos musicais com Sinfonia da Necrópole (2014), dando uma palhinha do que vem aí pela frente em sua carreira.

Sinfonia da Necrópole (Juliana Rojas, 2014) | Em cena: Seu Jaca (Paulo Jordão), Deodato (Eduardo Gomes) e Humberto (Germano Melo)

O sucesso seguiu a carreira de muitas diretoras, levando muitas delas para festivais internacionais, mas talvez nenhuma delas tenha sido tão notada e aclamada como Anna Muylaert, atuante no cinema desde 1995, chamou atenção com É Proibido Fumar (2009) e se destacou especialmente em Que Horas Ela Volta? (2015), o escolhido para representar o Brasil na corrida do Oscar, mas, infelizmente, não chegou lá, o que não desmerece o filme em nada, já que levou coleciona nada menos que 19 prêmios. No ano seguinte a diretora foi até Berlim para apresentar seu Mãe Só Há Uma (2016), um filme de baixo orçamento, mas muito potente. Aguardemos os próximos passos da diretora.


Laís Bodanzky chegou no cinema com o pé na porta e foi entrando com Bicho de Sete Cabeças (2000) vencedor do prêmio de melhor filme no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro; seus trabalhos posteriores foram ainda melhores. As Melhores Coisas do Mundo (2010), tratou a juventude como se deve, é um filme divertido, irreverente e muito fluido, mas seu melhor trabalho foi Como Nossos País (2017) também foi selecionado para Berlim e faturou 6 prêmios no Festival de Gramado. De melhor atriz coadjuvante a Melhor Filme, categoria que venceu também no Festival do Cinema Brasileiro de Paris.

Bicho de Sete Cabeças (Laís Bodanzky, 2000) | Em cena: Ceará (Gero Camilo), Neto (Rodrigo Santoro) e Rogério (Caco Ciocler)

As mulheres também estão muito bem representadas no meio documental, Petra Costa fez dois dos documentários mais celebrados dos últimos anos, Elena (2012) onde abordou seu drama familiar após o suicídio de sua irmã mais nova, aos vinte anos de idade, anos depois Petra Voltou a ser notícia com o polêmico e necessário, Democracia em Vertigem (2019) que foi indicado ao Oscar e ao Sundance Film Festival, além de ficar na lista de mais vistos da Netflix.


Com o famoso sobrenome, Carolina Jabor, filha de Arnaldo, seguiu o caminho cinematográfico do pai, mas sem as polêmicas. Seus trabalhos mais celebrados são os ótimos Boa Sorte (2014) que mistura amor e loucura em um enredo muito celebrado e Aos Teus Olhos (2017) que aborda os perigos dos prejulgamentos nas redes sociais.

Boa Sorte (Carolina Jabor, 2014) | Em cena: Judite (Deborah Secco) e João (João Pedro Zappa)

Suzana Amaral foi uma das grandes diretoras do nosso cinema, sua adaptação de Clarice Lispector, A Hora da Estrela (1985) rodou o mundo em festivais e gravou seu nome na história, em Berlim, Marcélia Cartaxo ganhou o prêmio de melhor atriz por essa obra. Os anos 70 impediram muitas mulheres de dirigirem, Lúcia Murat, por exemplo, foi presa e torturada por três anos por envolvimento com as causas democráticas e o movimento estudantil foi uma delas, depois de muitos anos, ela voltou para trás das câmeras e nos presenteou com emocionante, Praça Paris (2016).

Praça Paris (Lucia Murat, 2016) | Em cena: Glória (Grace Passô) e Camila (Joana de Verona)

Tata Amaral sempre focou em mulheres, logo, todos os seus filmes são sobre mulheres, seu premiado Um Céu de Estrelas (1997) venceu praticamente todas as indicações que recebeu, acumulando 12 prêmios, assim como o filme Hoje (2011) que rendeu prêmios de melhor atriz para Denise Fraga nos festivais de Brasília, APCA, SESC e FITA.


Por fim e não menos importante temos Maria Augusta Ramos, outra documentarista, que dirigiu um tríplice de filmes sobre política, o primeiro foi Justiça (2004), que abocanhou quase 10 prêmios internacionais, seguido de Juízo (2008), uma severa crítica sobre as condições precárias de apuração, punição e ressocialização que o sistema judiciário propõem a menores suspeitos de infração, além de mostrar como nossos jovens estão tendo suas vidas negligenciadas pelo poder público, até que se deparam com o, também despreparado, sistema judiciário; e o mais recente O Processo (2018) que cobriu todo o processo que envolveu o impeachment ou golpe contra Dilma Rousseff.


O futuro já chegou e trouxe coisa boa. Gabriela Amaral Almeida ainda não atingiu o sucesso comercial, mas isso é questão de tempo, porque talento ela mostrou de sobra com seu aclamado O Animal Cordial (2017). Amaral Almeida parece ter uma mão especifica para coordenar elencos aguardemos as próximas boas surpresas que ela te a nos oferecer.

O Animal Cordial (2017) | Em cena: Djair (Irandhir Santos)

O cinema, como um todo, está mudando, agora, mais do que nunca, as mulheres estão em evidência, escrevendo, dirigindo e produzindo. Nos próximos anos teremos cada vez mais trabalhos de diretoras, quem sabe uma, ou mais, delas consiga nosso tão desejado, aguardado e merecido Oscar de Melhor Filme Internacional e, quem sabe, uma indicação a melhor direção. Sonhar nunca é demais, não é mesmo? A última parte do nosso especial vai falar dos nossos diretores contemporâneos, dos anos 2000 até agora, são tantos nomes que é melhor você se preparar porque o nosso cinema nunca prometeu tanto...

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