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ESPECIAL: CineBR 50 MAIS - (40 a 31)

Dando continuidade à lista dos 50 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, na lista parcial de hoje, veremos de Babenco a Dhalia, então prepara prepara a pipoca que sua programação de final de semana promete!

 

O ESPECIAL CineBR 50 MAIS é um especial de publicações do Portal Dossiê etc, escrita por Cleber Eldridge, sobre os 50 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, na opinião do autor.


Dos campeões de bilheteria, até àqueles filmes esquecidos no deposito das extintos video locadoras, se é bom, se tem qualidade se marcou época, você encontrará aqui.

Aproveite e se aventure pelo cinema nacional. Uma viagem inesquecível.


Boa leitura!

 

40. Quando eu era Vivo (Marco Dutra, 2014)

Quando eu era Vivo (Marco Dutra, 2014) | Em cena: Sênior (Antônio Fagundes) e Bruna (Sandy Leah)

O Brasil é um país de muitas facetas, os muitos times de futebol, as dezenas de partidos políticos e as mais diversas religiões. O cinema de Marco Dutra sempre gostou dos devaneios com o sobrenatural. Quando eu era Vivo, seu segundo longa-metragem deixou isso escancarado, explorando o que há entre a vida e a morte, a ligação do vivo e do morto e claro, as memórias.

O filme conta a história de Júnior (Marat Descartes) que volta a morar com a família depois que perdeu o emprego e se separou da esposa. Quando chega na casa que um dia já fora seu lar, ele se sente um estranho e passa seus dias no sofá, remoendo a separação e o desemprego, de quebra ainda fica sonhando com a inquilina Bruna (Sandy Leah, ela mesma a cantora), só então após achar alguns objetos que pertenciam à sua mãe, Júnior passa a querer saber tudo sobre a história da família e desenvolve uma estranha obsessão pelo passado, passando a confundir delírio e realidade.

O ponto alto do filme é o clima sinistro que permeia toda a segunda metade da obra, uma coisa sobrenatural, que envolve religião, crenças e ocultismo, é de dar arrepios. Eu particularmente não sei se Marat Descartes foi a melhor escolha o protagonista, ainda mais com aquela peruca ridícula, mas o ator cumpre com a expectativa, o melhor mesmo é Antonio Fagundes, que parece sair da bolha das telenovelas e entrega um personagem mais real, um ótimo filme para quem gosta de coisas sinistras, de deixar muito filme de terror no chinelo.

Onde assistir: Globo Play


39. Legalize Já! (Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, 2017)

“Legalize já, legalize já, porque uma erva natural não pode te prejudicar”.
Legalize Já! (Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, 2017) | Em cena: Marcelo D2 (Renato Góes) e Skunk (Ícaro Silva)

O Planet Hemp foi um dos maiores e melhores grupos musicais que o Brasil já conheceu e eu poderia listar vários fatores para provar que isso é verdade. Desde as letras primorosas, passando por quebra de tabu como fumar maconha, até os preconceitos que o grupo passou por conta de sua personalidade única.

O músico Skunk (Ícaro Silva), inconformado com o preconceito e a opressão vividos pelas comunidades de baixa renda, usa a música para expressar seu inconformismo, esbarra no vendedor de camisetas, Marcelo (Renato Góes), durante uma fuga. O gosto pela música e a habilidade de Marcelo em compor letras de cunho social os aproximam e juntos eles formam a banda Planet Hemp.

O Marcelo em questão é ninguém menos que Marcelo D2, conhecido pela música e pelas falas polêmicas, mas que, apesar de polêmicas, são falas dotadas de razão. Ainda sobre o filme, ele tem alguns diálogos complicados e a fotografia é problemática, bem problemática, mas isso tudo acaba passando diante de uma história tão bacana como foi a dessa dupla que viria ganhar o Brasil com suas letras e músicas como “Mantenha o Respeito” e “Queimando Tudo” – um filme de maconheiro para maconheiro, afinal, não existe um maconheiro que não ouça, ou nunca tenha viajado com Planet Hemp.


Onde assistir: Globo Play


38. Reflexões de um Liquidificador (André Klotzel, 2010)

Reflexões de um Liquidificador (André Klotzel, 2010) | Em cena: Elvira (Ana Lucia Torres)

O curioso caso do liquidificador que conversava com a sua senhora, acreditem essa é a história do filme. É claro que essas conversas tinham algum fundamento, não subestime essa obra.


O filme segue os dias de Elvira (Ana Lucia Torres) uma senhora de casa como tantas outras no Brasil. Ela é casada e mora num daqueles casebres antigos, dona de um bar que está para se desfazer, ela acaba ficando com o liquidificador, um utensílio doméstico que toda casa tem, mas aquele não era um liquidificador comum, ele falava, pensava, filosofava sobre coisas e pessoas.

O problema é quando Elvira, com ajuda do liquidificador acaba descobrindo que seu marido não é nenhum santo, aí a coisa complica. Se você por um acaso está imaginando que é um daqueles filmes baratos, está terrivelmente enganado é justamente o contrário e tudo isso graças a Ana Lúcia Torres, que parece se desvencilhar dos personagens ridículos que Walcyr Carrasco lhe escreveu durante parte de sua carreira, ela brilha feito o copo de um liquidificador polido.


Onde assistir: Netflix

37. Serra Pelada (Heitor Dhalia, 2013)

Serra Pelada (Heitor Dhalia, 2013) | Em cena: Joaquim (Júlio Andrade) e Javier (Juliano Cazarré)

O segundo filme de Dhalia aqui na lista, como mencionei ele é um dos melhores da atualidade — teremos a oportunidade de falar melhor sobre isso — e, como bom diretor que é, sabe contar histórias estranhas, histórias de família, histórias de pessoas e claro, histórias reais.

Serra Pelada se tornou o maior garimpo a céu aberto do mundo na década de 70. Milhares de homens foram atraídos pela febre do ouro e o sonho da riqueza instantânea. Joaquim (Júlio Andrade) e Javier (Juliano Cazarré) chegam na Floresta Amazônica contaminados pela "febre dourada”, ambos se tornam amigos e compartilham seus sonhos, mas a dureza da mineração e a ganância dos homens destruirão essa amizade.

O trabalho da direção de fotografia e direção de arte que recriam toda uma época são brilhantes, mas o poder do filme fica com o mosaico de personagens e suas facetas, desde os mais corretos, até os mais trouxas e gananciosos, tudo isso encabeçado por um elenco brilhante, dentre os já mencionados ainda temos Wagner Moura, Laura Neiva, Matheus Nachtergaele e, claro, Jesuíta Barbosa, na pele do inesquecível Navalha.


Onde assistir: Globo Play


36. Trabalhar Cansa (Marco Dutra e Juliana Rojas, 2011)

Trabalhar Cansa (Marco Dutra e Juliana Rojas, 2011) | Em cena: Helena (Helena Albergaria) e

É o meu filme favorito do diretor, logo, esse é seu melhor trabalho — na minha humilde opinião — e é como eu disse um pouco mais acima sobre Dutra, na descrição de Quando eu era Vivo, Dutra gosta de falar do sobrenatural, Trabalhar Cansa foi seu filme de estreia e os curadores do Festival de Cannes não poderiam deixar passar esse trabalho, tanto que ele foi selecionado para a competição Un Certain Regard.

O filme de estreia de muitos diretores é o seu melhor trabalho, outro grupo evolui a cada filme e outro punhado não cansa de se superar, mas isso é muito relativo e vai muito de quem está assistindo. O meu apreço por essa obra é tanta que hesitei em não o colocar em uma posição melhor.

O trabalho de Dutra e Rojas conta a história de Helena (Helena Albergaria) é uma dona de casa que resolve abrir um minimercado, um daqueles que tem em toda esquina nas regiões periféricas de São Paulo e em todos os cantos do Brasil; tudo vai bem até Otávio (Marat Descartes), seu marido, perder o emprego, daí então estranhos acontecimentos tomam conta do local, afetando o relacionamento do casal com a empregada doméstica.

Onde assistir: YouTube


35. Carandiru (Héctor Babenco, 2003)

Carandiru (Héctor Babenco, 2003) | Em cena: Negro Preto (Ivan de Almeida) e Zico (Wagner Moura)

Héctor Babenco era argentino, mas só de nascimento, porque passou toda sua existência aqui no Brasil, assim, ele enfrentou percalços para conseguir financiamento para seus trabalhos e vivenciou de perto os inúmeros problemas que esse país tinha quando era vivo e continua tendo até hoje. O Brasil não funciona porque não tem políticas públicas decentes, é simples, assim. A história do Carandiru escancara isso para quem quiser ver.

O filme tenta transformar aquela realidade em ficção sem muito sucesso, porque nos personagens enxergamos a realidade cruel que era aquilo, tudo encabeçado por um Doutor (Luiz Carlos Vasconcelos) que atende e convive com os presidiários, suas histórias e os mais diversos motivos para estarem ali.

O que Babenco faz aqui é algo parecido com que o grande Robert Altman fez ao longo de sua carreira, é um mosaico de personagens, diferentes personagens, com diferentes personalidades e realidades, que tentam conviver, quando não deveriam.


O massacre foi algo de repudio, que o Brasil assistiu calado e cujo culpados nunca foram devidamente punidos, um massacre policial sem precedentes e o filme mostra isso com a maior realidade possível.


Onde assistir: Globo Play


34. Amarelo Manga (Claudio Assis, 2002)

Amarelo Manga (Claudio Assis, 2002) | Em cena: Lígia (Leona Cavalli) e Isaac (Jonas Bloch)

O Brasil como qualquer outro canto do mundo, é divido por regiões – o cinema brasileiro também é isso, cinema regional, um filme de São Paulo ou do Rio de Janeiro é completamente diferente do Nordeste, não só por questões financeiras, mas especialmente por conta da diferença gritante de cultura, somos todos brasileiros, mas cada um com a sua cultura e particularidades.

O filme de Cláudio Assis é isso uma sucessão de curtas histórias envolvendo um bar e um hotel na cidade de Recife, que nos revela uma série de personagens que vivem em um determinado bairro pobre da cidade. Um açougueiro e sua mulher evangélica, um necrófilo apaixonado pela dona de um bar, um homossexual apaixonado pelo açougueiro e outros, muitos outros personagens que contam suas histórias para nós espectadores nos encantarmos com uma após a outra.

Onde assistir: globo Play


33. O Animal Cordial (Gabriela Amaral Almeida, 2017)

O Animal Cordial (Gabriela Amaral Almeida, 2017) | Em cena: Sara (Luciana Paes) e Inácio Murilo Benício)

O cinema é tão maravilhoso, mais tão maravilhoso que quantas vezes você estava ali, zapeando os títulos e se deparou com algo que, assim, só a sinopse tenha te chamado atenção e você assistiu, quando se deu conta estava totalmente imerso e ao final a única coisa que você conseguia pensar era: put* que pariu, caralh*, p*rra – pois é, esse é O Animal Cordial.

É o seguinte, um restaurante de classe média em São Paulo é invadido, no fim do expediente, por dois ladrões armados. Lá dentro o dono do estabelecimento, o cozinheiro, uma garçonete e três clientes são rendidos e, entre a cruz e a espada, Inácio (Murilo Benicio) – o homem pacato, o chefe amistoso e cordial – precisa agir para defender seu restaurante e seus clientes dos assaltantes. ​

O fato de se passar em um restaurante não tem absolutamente nada com o que você vai ler agora, mas a obra de Gabriela é uma daquelas farofas que quanto mais você coloca na comida melhor. O tempero fica por conta do cozinheiro, encarnado até os fios dos cabelos por Irandhir Santos que em um mundo justo, teria sido indicado ao Oscar.


Onde assistir: Netflix


32. Jogo de Cena (Eduardo Coutinho, 2007)

Jogo de Cena (Eduardo Coutinho, 2007) | Em cena: Marília Pêra

O melhor documentarista que esse país já viu e provavelmente vai ver em toda sua eternidade, Coutinho era mestre em toda sua simplicidade e eu realmente quero falar melhor dele no próximo especial aqui da Dossiê sobre diretores, mas Coutinho sabia como ninguém conduzir uma conversa.

O primeiro documentário aqui da lista segue o anúncio de jornal, onde oitenta e três mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio, em junho de 2006, vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha, em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas.

O filme conta com toda simplicidade de Coutinho, que diante das selecionadas conduz a conversa com elas que contam, cada uma com seu jeito e trejeito, com suas vozes e atuam com o corpo diante de uma câmera. O elenco ainda conta com as maravilhosas Marilia Pêra, Andrea Beltrão, Fernanda Torres e outras.

Onde assistir: Globo Play


31. Aos Teus Olhos (Carolina Jabor, 2017)

Aos Teus Olhos (Carolina Jabor, 2017) | Em cena: Rubens (Daniel de Oliveira)

Daniel de Oliveira é um achado, não só falando de sua aparência – uma graça ele, não? – como de seu potencial como ator, que aliás, ele já cansou de provar. Lá atrás com Cazuza – O Tempo Não Para (Walter Carvalho, 2004) que não vai estará nessa lista, ou em Sangue Azul (Lírio Ferreira, 2014) que também não aparecerá na lista, mas que Daniel atua mais com o corpo. Aos Teus Olhos mistura todo potencial do ator, que usa de seus olhares e seu corpo para entregar uma atuação digna de um ator completo.

Rubens (Daniel de Oliveira) dá aulas de natação para adolescentes em um clube, embora querido por todos os alunos, ele entra em apuros quando um aluno alega para a mãe que o professor deu um beijo em sua boca. O professor nega, mas o caso ganha notoriedade e faz com que sofra linchamentos virtuais, piorando de vez quando viraliza nas redes sociais.

O que aconteceu, o que é verdade e o que não é, você só vai descobrir quando acabar o filme que levanta inúmeras questões, faz com o que o espectador mescle entre o certo e o errado, duvide de suas próprias índoles e por aí vai, claro que, Daniel está ótimo, mas nem assim se sobressaí diante das questões levantas pelo filme.


Onde assistir: Globo Play