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O que acontece quando a esquerda não olha para a direita e vice-versa?

Como um oponente pode se beneficiar das ações do opositor

A Liberdade Guiando o Povo | Artista: Eugene Delacroix

Foi exatamente nas assembleias ocorridas na revolução francesa que surgiram os termos de definição política sobre esquerda e direita. Por mera coincidência e talvez por afinidade ou interesses, pessoas com visões políticas diferentes sentavam-se em lados opostos.


Como são sabidas, as ideias de direita são baseadas numa aceitação de que as coisas são como são, surgindo daí possibilidades para alguns e não para outros. Diferentemente, reconhecer e diminuir as acentuadas injustiças sociais, são parâmetros que a esquerda entende como possíveis, aceitando a possibilidade de enriquecimento de qualquer pessoa dentro da honestidade que se pede, mas sem negar aos desfavorecidos que possam também ter suas possibilidades de crescimento, diminuindo sempre qualquer distância abismal que possa existir dentro de uma sociedade.


Quando direita e esquerda entram em choque de ideias, principalmente em períodos como os atuais, onde informações de todo tipo circulam de forma rápida, passa a pesar sobre uma sociedade a tão áspera e separatista polarização que impede atos e encontros passíveis de entendimento e respeito.

À esquerda os Jacobinos, formados pela baixa burguesia, intelectuais, acadêmicos, juristas, médicos etc. À direita os Girondinos, a alta burguesia formada por empresários, latifundiários e comerciantes, que lutavam por pautas do liberalismo econômico, enquanto os Jacobinos eram reformistas que buscavam a evolução do bem estar social, do direito à democracia direta e de outros valores humanistas. Daí surge a denominação utilizada até os dias atuais para descrever os espectro político que cada um ocupa. | Arte: A Abertura dos Estados Gerais em Versalhes (05 de maio de 1.789) | Artista: Isidoro-Estanislau Helman

O que chama bastante a atenção é a velocidade com a qual posições políticas emergem, incrivelmente baseadas em seu opositor. Detalhes criteriosos sobre as táticas de uma esquerda podem incentivar e motivar uma direita e vice-versa.


Os estudos históricos sobre o próprio país deveriam ser fator incondicional para que houvesse um maior alcance na compreensão da linha do tempo, entendendo-se peculiaridades e fatores de clímax que conduziram nossa política, principalmente dentro daquilo que foi conquista do povo, o que se manteve e o que se perdeu no decorrer de todos os atos conduzidos por toda esfera política, dentro de seus poderes.


Além de haver uma distância e desconhecimento sobre essas páginas da história em nosso país, há também uma visão distorcida que segue a braçadas largas nos aspectos que se referem a socialismo, comunismo, entre outras vertentes, gerando confusão de ideias e comportamentos inadequados naquilo que se refere à visão de mundo e do outro.


Ao mesmo tempo em que essa batalha de desinformação segue seu curso, movimentos mais astutos e nem sempre bem-intencionados, armam-se de instrumentos preparados para vários tipos de ataque, como que numa busca de solução rápida ao que consideram urgente mudar, ou mesmo na urgência de garantir direitos salpicados de egoísmo.


Merece atenção dentro de todo esse contexto, que a mescla de direita e esquerda, no meio de tanta desinformação, pode trazer resultados bem ruins, principalmente por parte de quem busca seus interesses de forma obscura e seletiva.


Fazendo aqui uma pequena alusão, a esquerda por sua característica mais flexível e abrangente com movimentos sociais, estudos e defesa de direitos, poderia ser vista como uma espécie de arco. Já de forma diferente, temos uma direita mais inflexível, com foco na dianteira, longe dos arredores e lembrando uma flecha.


Quem se impulsionaria em quem para fazer estragos maiores?

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