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ESPECIAL: Telas BR: Panorama do cinema brasileiro - Parte 01

Atualizado: 14 de out. de 2021

TELAS BR é uma série especial de publicações da Dossiê etc, escrita por Cleber Eldridge, sobre o mundo audiovisual brasileiro, de 1990 a 2021; Começando pelo Cinema, a série ainda abordará: Novelas; séries e reality shows... Seja na telinha da TV ou na "telona" do cinema, o que marcou época no audiovisual nacional, você verá aqui. Hoje e nas próximas semanas.

 

O cinema brasileiro sempre foi gigante em toda sua magnitude e só não é ainda maior, porque nós, o próprio público brasileiro, não enxerga o que está diante dos nossos olhos, pois acreditem, o que mais tem por aí, é gente que diminui o cinema nacional, que fala que só filme de favela que é bom, que as comédias da Globo são isso e aquilo, que os diálogos são ruins e mais uma porrada de coisas, que cá para nós, não ajuda em nada.

Central do Brasil (Walter Salles, 1998) | Em cena: Josué (Vinicius Oliveira) e Dora (Fernanda Montenegro)

O primeiro passo para que o cinema brasileiro seja reconhecido no mundo, é que ele seja reconhecido aqui, em terra Tupiniquins, o artigo a seguir vai falar de algumas das obras mais importantes, dos diretores que fizeram história e dos filmes que marcaram para sempre a memória do público e não, não irá se atentar em nenhum gênero específico, falaremos de todos os tipos de filmes. O artigo ficaria gigantesco se fossemos abordar toda a história do cinema brasileiro, desde o primeiro filme Limite (1931), passando por diretores importantes como Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha, por isso, limitei o artigo com o cinema dos anos 90 até 2021, sem mais delongas vamos lá.


Os anos 90

Central do Brasil | Fernanda Montenegro foi indicada à categoria Melhor Atriz.

Os anos 90 foi uma década muito prolifera para o nosso cinema. Foi lá atrás que, as sonhadas indicações ao Oscar aconteceram, foram três ao longo da década, O Quatrilho (1995) foi a primeira, O Que é Isso Companheiro? (1997) a segunda e, a mais celebrada, Central do Brasil (1998) foi a terceira, de quebra ainda aconteceu uma indicação de melhor atriz para Fernanda Montenegro — assunto que ainda rende um longo debate sobre quem deveria ter levado a estatueta, mas isso é assunto para outra hora — foram as nossas únicas indicações, a vitória ainda não chegou, mas uma hora ela chega.


Os anos 90 também marcaram a explosão das bilheterias, também foi lá que alguns filmes arrastaram milhões de pessoas aos cinemas, Lua de Cristal (1990) foi o primeiro filme da década atingir a marca de milhões nas bilheterias, não para menos, a Xuxa estava no auge e arrastava multidões por onde passava, logo seus fãs iriam ao cinema prestigiar a mesma.

Lua de Cristal (Tzuka Yamasaki, 1990) | Em cena: Bob (Sérgio Malandro) e Maria da Graça (Xuxa)

O diretor Walter Salles – diretor de Central do Brasil – explodiu nos anos 90, isso muito antes da sua indicação ao Oscar. Salles fez carreira no cinema com seus filmes de estrada, a maioria deles codirigidos por Daniela Thomas. A Grande Arte (1991), Terra Estrangeira (1995) e O Primeiro Dia (1998) foram seus filmes e que abririam caminho para uma carreira internacional.


Anos 2000

O auto da compadecida (Guel Arraes, 2000) | Em cena: Chicó (Selton Mello) e João Grillo (Matheus Nachtergaele)

O novo século traria novos ares ao cinema brasileiro, logo no primeiro ano, um sucesso de crítica e público, um filme que se tornaria um clássico, O Auto da Compadecida (2000) uma comédia em moldes completamente diferentes do habitual, a nova década também faria explodir de uma vez por todas as cinebiografias, foram tantas, tantas, que o público praticamente suplicava por mais e mais. O maior sucesso delas foi 2 Filhos de Francisco (2005) que bombou, Cazuza – O Tempo Não Para (2004) e Olga (2004) também foram sucesso, claro que nem todos eram realmente bons filmes, mas como tratavam de figuras reais e que de alguma forma foram importantes para a história do país, todas elas têm o seu prestígio.


O maior feito do cinema nacional aconteceu em 2002, quando Fernando Meirelles dirigiu um filme que iria mudar para sempre não só o cinema nacional, como o mundo. Cidade de Deus (2002) mudou tudo, o filme influenciaria todas as gerações futuras, iria inspirar grandes diretores Americanos e Europeus e infelizmente iria viciar o público brasileiro, que mais do que nunca, queria assistir mais da realidade das favelas e violência. Fernando Meirelles foi tão genial que o filme recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo melhor diretor, que é até agora a única para um diretor brasileiro.

Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002) | Em foco: Buscapé (Alexandre Rodrigues)

O cinema nacional seria abalado mais uma vez, alguns anos mais tarde com Tropa de Elite (2007), vencedor do Urso de Ouro em Berlim, de melhor filme, uma multidão de gente foi ao cinema prestigiar a obra de José Padilha que, ao contrário de Cidade de Deus, mostrou situações da favela sob o olhar da polícia. Outro grande feito nos mesmos moldes foi Carandiru (2003), que narrava a história real dos presos de um dos maiores presídios do Brasil, dirigido por Hector Babenco, fez sua estreia no maior festival de cinema do mundo Cannes, foi lá também que estreou Linha de Passe (2007) que apesar de não ter sido sucesso de público, arrebatou a crítica e rendeu o prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni, o filme narra a história de uma família pobre da zona leste de São Paulo e todos os seus sonhos e inúmeras dificuldades.

Carandiru: O filme (Hector Babenco, 2003) | Em foco: Rita Cadilac interpretando ela própria, e Fuinha (Mauro Mateus dos Santos, o Rapper Sabotage)

As comédias da Globo Filmes também fizeram sucesso, a grande maioria delas eram filmes derivados de séries da emissora como Os Normais e A Grande Família que arrastaram uma galera para os cinemas, mas para quem procura por obras completamente diferentes, é só uma questão de procurar, um dos filmes mais aclamados da década e que quase ninguém assistiu é Lavoura Arcaica (2001) considerado por muitos um dos grandes filmes de todos os tempos. O circuito alternativo sempre ofereceu grandes filmes e que quase nunca chegavam até a massa. Karim Ainouz, um dos autores mais interessantes do cinema dos últimos anos, dirigiu Madame Satã (2002) e O Céu de Suely (2006) filmes que atualmente são tidos como clássicos da cultura nacional.


Em 2001, Bicho de Sete Cabeças colocou Rodrigo Santoro nos radares do mundo, o mesmo aconteceu com Laís Bodanzsky, uma das nossas poucas diretoras mulheres, infelizmente.

Bicho de Sete Cabeças (Laís Bodanzky, 2001) | Em foco: Neto (Rodrigo Santoro)

O sertão também sempre se fez muito presente no cinema nacional, só que nunca atraiu grandes públicos, o que é uma pena, já que esse deveria ser um dos nossos principais temas. O filme Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) trilhou esse caminho, mas não funcionou, é um dos filmes mais esquecidos da década, assim como o excelente Amarelo Manga (2002), que tem seus apreciadores, mas...


OS DOCUMENTÁRIOS

Edifício Master (Eduardo Coutinho, 2002)

Eduardo Coutinho não foi só o maior documentarista do Brasil como um dos maiores do mundo, dentre suas obras mais populares estão Edifício Master (2002), Jogo de Cena (2007). Ônibus 174 (2002) também é um dos representantes do gênero, que mais tarde se tonaria um longa-metragem de ficção, sem o mesmo sucesso ou efeito. Os documentários, ao contrário de todos os outros gêneros, sempre foram feitos para um determinado nicho de pessoas, infelizmente, o público brasileiro ainda não tem um certo “pudor” para apreciar esse gênero que sim, pode ser devastador.


Leia agora a 2ª parte de TELAS BR

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