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ESPECIAL: CineBR 50 MAIS - (30 a 21)

Chegamos à metade da Lista, mas de tão bons, esses 10 filmes parecem até os primeiros colocados. Segue a lista:

Canastra Suja (Caio Sóh, 2016) | Em cena: Tutu (David Junior) e Pedro (Pedro Nercessian)
 

O ESPECIAL CineBR 50 MAIS é um especial de publicações do Portal Dossiê etc, escrita por Cleber Eldridge, sobre os 50 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, na opinião do autor.


Dos campeões de bilheteria, até àqueles filmes esquecidos no deposito das extintos vídeo locadoras, se é bom, se tem qualidade se marcou época, você encontrará aqui.

Aproveite e se aventure pelo cinema nacional. Uma viagem inesquecível.


Boa leitura!

 

30. Junho – O Mês que Abalou o Brasil (João Wainer, 2014)

Junho – O Mês que Abalou o Brasil (João Wainer, 2014)

O dia 7 de setembro de 2021 foi marcado por protestos em todos os cantos do país e um dos meus amigos, um dos melhores amigos da pessoa que vos fala me disse: “manifestações não adiantam de nada”, pois é uma semana depois eu me deparei com esse documentário sobre as manifestações que aconteceram em 2013, todo mundo se lembra, eu acho. O Brasil viu uma gama de jovens inconformados com o aumento das passagens de ônibus em São Paulo.

O documentário é impressionante, eu claramente não concordo com o meu querido amigo que insiste em falar que manifestações de nada adiantam, fiz questão de esfregar esse filme na lata dele, pois o movimento Passe Livre, naquela ocasião conseguiu o que queria tudo isso graças ao que? Pois é!

O documentário vai muito além, através de depoimentos chocantes e imagens extremamente fortes, o filme mostra a violência e o despreparo da polícia civil, mas tudo isso é claro, tem problemas, já que o Brasil em 2013 já era um país politicamente polarizado.


Onde assistir: Globo Play

29. Boa Sorte (Carolina Jabor, 2014)

Boa Sorte (Carolina Jabor, 2014) | Em cena: Judite (Deborah Secco) e João (João Pedro Zappa)

O cinema como um todo sempre explorou a mente humana em seus diversos estados e sentidos, o problema da grande maioria desse tipo de filme é o exagero, muitos diretores iniciantes acabam caindo na armadilha dos estereótipos, felizmente não foi o caso de Carolina Jabor, mas só para mencionar um exemplo, Bicho de Sete Cabeças (Lais Bodanzky, 2000) que para mim, cai em todos os clichês dos filmes sobre a loucura humana.

O filme de Jabor segue uma linha mais “delicada” – após uma série de problemas comportamentais, João (João Pedro Zappa — maravilhoso —) é internado pela família em uma clínica psiquiátrica. Lá ele conhece Judite (Deborah Secco), também paciente, por quem logo se apaixona, ela não tem muito tempo de vida e ambos sabem disso, o que não impede que iniciem um intenso romance.


Onde assistir: Netflix


28. Rasga Coração (Jorge Furtado, 2018)

Rasga Coração (Jorge Furtado, 2018) | Em cena: Manguari (Marco Ricca) e Luca (Chay Suede)

O diretor Jorge Furtado ao longo de toda sua carreira, sempre conseguiu transitar entre comédias e dramas, diretor de Ilha das Flores (1989) e O Homem que Copiava (2003) Furtado sempre foi mais prolifero na televisão, com inúmeros trabalhos, infelizmente a maioria bem esquecível.

O filme conta a história do militante anônimo Manguari (Marco Ricca) que, depois de quarenta anos de luta pelo que considera novo e revolucionário, assiste seu filho Luca (Chay Suede) acusá-lo de conservador, antiquado e anacrônico, contando o dinheiro para fechar o mês, sofrendo com as dores de uma artrite crônica e num crescente conflito com o filho, Manguari passa em revista seu passado e se vê repetindo as mesmas atitudes de seu pai.

O filme, ainda que gire em torno da política na época, tem várias camadas da relação pai e filho, interpretados magistralmente por João Pedro Zappa, Marco Ricca e Chay Suede, o choque de gerações se faz presente, não só isso como também as posições políticas dos personagens, Furtado consegue equilibrar muito bem o passado e o presente, a montagem faz parecer que estamos em um ciclo vicioso, além do claro paralelo com o Brasil atual.


Onde assistir: Telecine Play

27. Bye Bye Brasil (Cacá Diegues, 1980)

Bye Bye Brasil (Cacá Diegues, 1980) | Em cena: Salomé (Betty Faria), Andorinha (Príncipe Nabor)

O circo sempre foi uma constante em nosso cinema, as décadas passam, mas os diretores estão sempre entrando no tema, desde 1980 com esse que é, até agora, o melhor exemplar do tema, passando por O Palhaço (2011), Sangue Azul (2014) e o mais recente Bingo – O Rei das Manhãs (2017) – nenhum desses exemplares recentes chega perto da obra de Cacá Diegues.

Salomé (Betty Faria), Lorde Cigano (José Wilker) e Andorinha (Príncipe Nabor) são três artistas ambulantes que cruzam o Nordeste do Brasil com a Caravana Rolidei, fazendo espetáculos para camponeses, cortadores de cana e índios, sempre fugindo da concorrência da televisão, eles se juntam o sanfoneiro Ciço (Fabio Jr.) e sua mulher Dasdô (Zaira Zambelli), com os quais a Caravana Rolidei atravessa a Amazônia até chegar a Brasília, vivendo diversas aventuras pelas estradas do país.

O interior do Brasil, mais precisamente do Norte e do Nordeste encantam, enquanto a Caravana Rolidei passa de cidade em cidade apresentando seu “show” — é impressionante como esse país mudou, tanto no melhor sentindo como no pior — Cacá Diegues mostra que em qualquer época as pessoas são capazes de fazer qualquer coisa para sobreviver, seja usar sua própria arte ou o próprio corpo. O personagem de José Wilker é uma atração por si só, grande atuação.


Onde assistir: Globo Play


26. Pixote – A Lei do Mais Fraco (Hector Babenco, 1981)

Pixote – A Lei do Mais Fraco (Hector Babenco, 1981) | Em cena: Pixote (Fernando Ramos da Silva), Dito (Gilberto Moura), Fumaça (Zenildo Oliveira)

O cinema de Hector Babenco como já mencionei na lista anterior, é um cinema que escancara os problemas sociais, considerado por muitos como o seu melhor filme, Pixote causou polêmica por onde passou e não era para menos, afinal de contas, a obra é como diria um “ditado” popular: um tapa na cara da sociedade.

O retrato fiel da subcultura brasileira, acompanhamos Pixote (Fernando Ramos da Silva), um garoto vivendo nas ruas de São Paulo que aos 10 anos já perdeu toda a inocência. Seu dia a dia está cheio de prostituição, promiscuidade, drogas, roubos e outros tantos absurdos que nenhuma criança deveria presenciar.

O garoto que interpretou Pixote, morreu pouco depois do lançamento do filme, a obra ficou marcada por cenas chocantes dentro de um “reformatório” onde as autoridades abusavam do poder para lidar com as crianças em reabilitação, a cena de Marilia Pêra amamentando o garoto é só um adendo, por isso, antes de tudo, quero deixar claro aqui, que esse é um filme chocante, não de forma proposital, mas a realidade daquela época e daqueles personagens era horrível e qualquer paralelo com os dias atuais, não é coincidência.


Onde assistir: Globo Play

25. O Auto da Compadecida (Guel Arraes, 2000)

O Auto da Compadecida (Guel Arraes, 2000) | Em cena: Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Nachtergaele)

O maior clássico do cinema contemporâneo – isso falando em comédia, claro – foi um fenômeno de crítica e de público, eu confesso que sempre fiquei com o pé atrás com esse filme, tanto que só fui assistir agora esse mês, enquanto matava alguns clássicos e para a surpresa de absolutamente ninguém, eu me acabei de rir.


João Grilo (Matheus Nachtergaele) é um malandro sabido e esperto que deve lutar pelo seu pão a cada dia, geralmente provocando confusão por onde passa, ao seu lado está Chicó (Selton Mello), companheiro de aventuras e estrada, eles aprontam as mais absurdas confusões em Taperoá (gravado em Cabaceiras-PB), uma pequena cidade no sertão da Paraíba, até que João acaba morrendo e com outras figuras será julgado no Céu.

O elenco é impressionante, tanto que nem parecem estar interpretando, parece que eles são pessoas reais, de uma cidade interiorana qualquer. Matheus Nachtergaele é um maestro que comanda todos os outros personagens em um roteiro, adaptado do livro de Ariano Suassuna, é todo amarradinho e repleto de sacadas muito engraçadas.

Diego Villela, Denise Fraga, Luis Melo, Fernanda Montenegro estão todos incríveis e mesmo sendo uma comédia, o filme tem uma mensagem profunda, isso para os mais chegados em religião, é claro.


Onde assistir: Globo Play


24. Estômago (Marcos Jorge, 2007)

Estômago (Marcos Jorge, 2007) | Em cena: Íria (Fabíula Nascimento) e Raimundo Nonato (João Miguel)

O ator João Miguel como falei no especial passado, A Cara Do Cinema Brasileiro, sobre os atores e atrizes que fazem o nosso cinema, é um dos melhores, isso se não for o melhor da atualidade e essa comédia aqui é a prova definitiva disso. Se você é Taurino, do signo de Touro, você com certeza absoluta vai amar essa obra que ultrapassa os cúmulos do absurdo.

O mundo é assim, na vida, há os que devoram e os que são devorados, entre os bilhares de humanos na terra está Raimundo Nonato (João Miguel) que descobriu um caminho à parte: ele cozinha. É nas cozinhas, de um boteco, de um restaurante italiano e de uma prisão, que Nonato vive sua intrigante história. O cozinheiro aprende as regras da sociedade dos que devoram e dos que são devorados, regras que ele usa a seu favor, porque mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte e eles sabem, mais do que ninguém, qual é a melhor. Uma fábula nada infantil sobre o poder, o sexo e a culinária.

O tom de fabula que permeia o filme é só uma espécie de cortina para enganar – no melhor sentido – o espectador, porque o que está por vir no decorrer do filme é... indescritível.