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Inflação: Acumulado de 12 meses bate 10,25%

Com o pior setembro para a Inflação, desde 1994, alta de juros trava crescimento econômico, mas se mostra inútil contra a inflação.

Bandeiras vermelhas da conta de luz tem sido um dos principais pesos inflacionários dos últimos tempos, em setembro o aumento médio foi superior a 6%.

por Antônio Pedro Porto


Conforme previsto pelo IPCA-15, índice divulgado no meio do mês que apresenta a prévia do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice de inflação oficial, o acumulado de 12 meses rompeu uma linha simbólica e atingiu os dois dígitos.


O IPCA-15 previu que esse seria o pior setembro desde 1994 e previu também que que o acumulado de 12 meses superaria os 10%, entretanto o resultado exposto pelo IPCA foi ainda pior, ao invés dos 10,05%, o IPCA confirmou uma preocupante tendência de alta, com avanço de 0,2 p.p. atingindo 10,25%.


Ignorando completamente os motivos que têm gerado a alta dos preços, o Banco Central intervém contra o dólar com o aumento da taxa de juros que recai sobre todas as empresas. Segundo dados do próprio banco Central a taxa de juros média para pessoas jurídica ficou 44% mais caro desde setembro de 2020, até agosto desse ano (último dado disponível). Algo que assim como o combustível, tem um efeito inflacionário em cadeia. De julho para agosto a taxa de juros média para pessoas jurídicas avançou 5%, cinco vezes mais que a inflação. Peso que é repassado aos preços.

Em setembro de 2020, a taxa anual média cobrada sobre operações de crédito para pessoas jurídicas foi de 9,9%, em agosto desse ano, a taxa média aumentou 44%, chegando a 14,39% ao ano. Custos com crédito são repassados no preço ao consumidor. | Gráfico e tabela - Fonte: Banco Central do Brasil

Por que a inflação subiu em setembro:


Os motivos da alta da inflação são os mesmos já apontados no IPCA-15 de setembro, a energia elétrica pressionada por um aumento médio de mais de 6% no preço, graças à cobrança da tarifa extra de energia, a bandeira vermelha, que atingiu um 2º nível graças à crise hídrica e ausência de ações compensatórias do governo federal, que mesmo com os níveis críticos nas represas, até agora não decretou nenhuma política de racionamento do uso de energia ou consumo de água. Apenas foi anunciado um anúncio sobre a readoção do horário de verão, extinto por esse mesmo governo em um dos primeiros atos de governo.


Os outros dois vilões também não apresentam sinais de tréguas. Os alimentos continuam sem nenhuma política regulatória a respeito de reservas e estoques estratégicos para consumo interno, por isso, com o mundo passando por uma crise de abastecimento, os grandes produtores rurais têm aumentado seu lucro vendendo o produto para o mercado internacional, enquanto no Brasil a fome e a miséria avançam assustadoramente sobre uma população que está longe de ter uma reposição de renda compatível com o avanço cambial do dólar que parece estar estabelecido acima dos R$ 5,20 há mais de um mês.

Com a alta no preço dos alimentos, tem se tornado cada vez mais comum a busca por ossos, item antes desprezado e utilizado para fins menos nobres, como farinha para uso veterinário e fabricação de alimentos ultraprocessados de baixa qualidade. A cesta básica acumula alta de 20% em um ano.

Com os motivos explicados acima, os preços dos alimentos continuam altos, a proteína animal, popularmente conhecida como a “mistura”, a carne animal tem um aumento acima de 20%, bem como a cesta básica, que em setembro passado tinha um preço aproximado de R$ 563,35 e em setembro de 2021 já sai a R$ 673,45. O avanço corresponde a 10% do salário mínimo atual (R$ 110,00).


Ainda sobre o preço dos alimentos, a única manifestação do presidente Jair Bolsonaro, foi no sentido de alerta, dizendo que os fertilizantes estão ficando mais caros e que uma eventual falta do insumo pode fazer com que falte alimentos no próximo ano. Vale ressaltar que a política de desestatização do atual governo cedeu duas fábricas de fertilizantes à iniciativa privada para a exploração comercial por dez anos e desativou uma terceira que ficava no Paraná. Deixando de produzir 5 mil toneladas de fertilizantes por dia.


Até agora, itens como os combustíveis, cujos custos afetam toda a cadeira produtiva pelo impacto gerado no frete, já avançou mais de 42,02% em 12 meses, com destaque para o etanol, cujo aumento já supera os 64%, a gasolina avançou 39,6%, mas Petrobrás já anunciou um aumento válido a partir de hoje na gasolina e gás de cozinha sofrerão novo aumento de 7,2% no preço de ambos, alta que só será calculada no IPCA de outubro.

Apesar dos recorrentes aumentos dos combustíveis, é o preço do gás de cozinha que preocupa. Casos de ferimentos graves e óbitos de pessoas que cozinhavam com métodos alternativos como álcool tem aumentado nos últimos temos | Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil