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IPCA-15: Pior inflação para setembro desde 1994.

10,05%: Puxado por alimentos, transportes e energia, o acumulado de 12 meses do índice rompe a temida barreira dos 2 dígitos.

Combustíveis representam alguns dos maiores pesos da inflação atual. Somente a gasolina avançou mais de 39% nos últimos 12 meses. | Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), considerado a prévia do IPCA, índice de inflação oficial do Brasil, mostra dados que surpreenderam até os mais pessimistas dos economistas.

Após cinco reajustes seguidos na taxa Selic, depois que o Banco Central conquistou sua independência em fevereiro, a expectativa era que os índices de inflação começassem a ceder, mas o que está acontecendo é o sinal contrário.


O IPCA de agosto já batia um recorde considerável, foi o mais alto dos últimos 21 anos (2.000) para o mês, com um índice de 0,87%. Agora, a prévia de setembro (IPCA-15) aponta uma tendência de disparada, marcando 1,14%, maior inflação para o período desde 1.994 e jogando o acumulado dos últimos 12 meses para o temido patamar de dois dígitos, 10,05%.


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As prévias do IPCA possuem uma margem de acerto muito relevante, a prévia de agosto (IPCA-15) apontou 0,89% e o IPCA cravou 0,87%, uma diferença de 0,02 p.p. (2,24%), uma margem de erro mínima que, se repetida, confirmará uma inflação entre 1,11% e 1,17% para o período; em julho a prévia apontou 0,72% e o consolidado marcou 0,96%, uma discrepância de 33,33%.


Os vilões das prévias de setembro:

Com a alta do dólar, produtores têm preferido exportar alimentos, o que acaba por encarecer o consumo interno. Sem regulação sobre a exportação de alimentos, o brasileiro continua ganhando em real e comprando alimentos em dólar. | Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Ainda sem regulação de estoque para consumo interno, o preço dos alimentos é um dos que mais pressiona a inflação. A inflação dos alimentos apresentou um aumento frequente, passando de 0,49% em julho, 1,02% em agosto e agora 1,27%.


Com os recorrentes reajustes dos combustíveis, devido à política de preços flutuantes da Petrobrás, o transporte segue sendo o principal vilão, sendo responsável sozinho por 0,4 ponto percentual (p.p.) dos 1,14% de inflação do mês; A gasolina já acumula 39,05% de alta em 12 meses.


E como já era de se esperar, os custos com energia elétrica impactaram o custo de vida das famílias. As bandeiras vermelhas que já estão em seu 3º tom de vermelho, denominado agora de bandeira de “Crise Hídrica”, fez, segundo o IBGE, o gasto que já havia subido 5% em agosto, saltar 3,61% em setembro.


O índice oficial de setembro será divulgado pelo IBGE em 08 de outubro.