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Carta aberta aos Ricos brasileiros

Atualizado: 14 de abr. de 2021

Cafona, polêmica e necessária.

A obra é composta por bitucas de cigarro, garrafas vazias e confetes em um ambiente vazio com cara de final de festa
"Onde vamos dançar essa noite?" - Goldschmied e Chiari. Museu de arte contemporânea de Bolzano - Uma obra de arte sobre hedonismo e corrupção.

Prezados Ricos,


Subscrevo-os, com enorme respeito por vossas excelências, para falarmos sobre o Brasil e a delicadeza do atual momento. Tomei o cuidado de referir-me às eminentes Senhoras e Senhores com “R” maiúsculo para garantir que os “ricos” não se incomodem com essa conversa de gente Grande.

Peço que vossas Realezas não se preocupem, esse editorial não pretende chover no molhado. Não há a menor dúvida de que vossas Realezas conhecem a gravidade da situação, embora algumas Calopsitas tropicais, insistam em exibir sua exuberante e, apenas aparente, ignorância fazendo previsões completamente equivocadas sobre a pandemia, assim como em um arroubo de "coragem” e “autoafirmação” juvenil. De garotos que querem provar sua oratória e sua retórica, desafiando os fatos. Acredito que nesses casos haja mais má-fé do que ignorância, pois como poderia, um belo exemplar com olhos cor de anil, ser tão inapto? Deve ter sido má-fé... afinal, não tive notícias sobre eles se desculparem pelo equívoco. Uma assustadora falta de etiqueta...


Direto ao assunto:


Para não gastar vossos preciosos tempos, cremos que seja melhor, sem mais rodeios, ir direto ao assunto, afinal esse texto se trata de uma carta aberta e não da entrevista de um de vocês no Roda Viva, quando uma das jornalistas pergunta se acham que V. Realezas sabem que pagam poucos impostos. Eu sei que é embaraçoso responder “SIM”, embora a partir de agora seja necessário.


Longe deste editorial querer fazer parecer que responder "SIM" é mais simples do que realmente é. Apesar de ser uma palavra monossilábica com apenas 3 letras, sei que não é fácil dizê-la assim, tão abertamente, afinal, corre-se sempre o risco de os nobres ricos de “r” minúsculo perceberem e resolverem fazer justiça tributária. Imagina o perigo se o Brasil passar a tributar vocês, justo vocês, tão caridosos e cheios de filantropia, com alíquotas que cheguem a 37,5% como nos EUA ou 45% como na Alemanha que taxa nessa proporção todos os que ganham acima de 167 salários mínimos, equivalente a R$ 184 mil no Brasil. Por mês? Não, que tolice, por ano! Mas comparar o Brasil com a Alemanha? Deixa para lá...


Não pensem que esse humilde editorial quer torná-los pobres, não nos ofenda, não acreditamos em fadas do dente nem em meritocracia. Quem tem R$ 100 milhões não quebra, por mais ignorante que seja, por mais dificuldades que tenha em ler e interpretar um artigo científico antes de opinar sobre uma pandemia, por mais dificuldade que tenha em entender que furar a fila da vacina não resolve o problema da economia nacional; somos atentos, sabemos que quem comeu caviar nunca vai cozinhar músculo. E tudo bem, não é disso que o Brasil precisa agora.


Tampouco devemos falar de filantropia, esse assunto a gente deixa para os influencers da quebrada que, patrocinados pelos maiores interessados nos desmontes de direitos dos trabalhadores, não podem sequer falar de política por estar entre a cruz, representando a consternação por conhecer a dor da população que tentam, genuinamente, ajudar; e a espada daqueles que podem do dia para a noite cortar todos os apoios financeiros – medíocres apoios – que mantém projetos que apesar de muito importantes, por não deixarem “moiá” a situação das quebradas, mas que estão apenas enxugando gelo e sabem disso.


Muito para quem doa, pouco para quem recebe? Não!


Esse portal tem um compromisso especial com a matemática e repare, sequer estamos falando de uma matemática sofisticada, estamos a falar de uma matemática acessível e funcional. Nota-se que a Forbes publicou recentemente um patrimônio estimado em US$ 16,9 bilhões, ou R$ 94 bilhões para Jorge Paulo Lemann. A título de esclarecimento vale ressaltar que esse não é um patrimônio passível de saque, não tem liquidez imediata, causaria certo pânico no mercado a simples hipótese de Lemann se desfazer de 25% de suas ações, provavelmente elas derreteriam o valor das empresas e esses US$ 17 bilhões já não seriam mais tudo isso, mas, também a título de esclarecimento, não podemos ignorar que ainda assim é um patrimônio capaz de garantir a 100 mil brasileiros, uma vida de 76 anos com um salário mínimo por mês, desde o seu nascimento até o último dia de suas vidas.


Sendo menos sensacionalista, vale dizer que se o Sr. Lemann doar R$ 1 milhão de reais, equivale a uma pessoa com o patrimônio de R$ 1 milhão doar a bagatela de R$ 10,64.


R$ 1.000.000,00 / R$ 94.000.000.000,00 = 0,001064%


R$ 10,64 / R$ 1.000.000,00 = 0,001064% (que vergonha... que vergonha!)



Portanto, Senhor Lemann, preste muita atenção, especialmente a esse trecho: Fazer a economia popular abrir mão de R$ 500 mil (chegou a R$ 2 milhões), tão custosos à essas pessoas tão generosas que não possuem patrimônio e que, mesmo assim, a esse ponto já ajudam vizinhos, amigos, familiares e ainda tiveram que se mobilizar nesse desafio, para no final o Sr. Lemann doar essa miséria relativa?! Fazer isso equivale a um milionário propor a uma pessoa em situação de rua, um miserável, que ele faça um strip-tease ao som de “macarena”, para, no final do show, pagar um pão na chapa e um pingado para ele.

Então, com todo o respeito que cabe aos senhores Ricos (+R$ 100 mi) e RICOS (+ R$ 1 Bi) desse país, peço licença para um recado individual:


A filantropia Lemann


- Jorge Paulo Lemann, se esse Editorial se prestasse a adjetivar sua atitude, seríamos lidos como fanáticos, revoltosos e radicais, por que de fato, sua postura é esdruxula, é uma postura cretina e medíocre é uma postura dotada de arrogância, soberba, uma postura recheada de sarcasmo e sadismo social. Mas paro por aqui, o Brasil é um país em que seus cidadãos têm uma autoestima muito baixa que vê bondade em qualquer sorriso branco. Esse editorial poderia ser mal interpretado. Porque a essa altura o discurso já está bem ensaiado, você provavelmente queria incentivar os Brasileiros a serem solidários. Certo?

Mas Lemann, brasileiro não tem patrimônio, brasileiro não tem reservas, brasileiro só tem sua força de trabalho e sua renda mensal. Se o brasileiro médio que ganha 2 salários-mínimos se tornar solidário na mesma proporção que você (0,001064%) ele doará R$ 0,27 sobre a renda anual dele.

Radicais e fanáticos não deveriam ser os que denunciam e se indignam com isso, mas sim os nanicos morais como você que continuam acumulando fortunas incalculáveis e a partir de certo ponto, inúteis dada a ordem de grandeza desse patrimônio. Riquezas impossíveis de serem consumidas ainda que você não estivesse com mais tempo vivido do que tempo a viver. Um acúmulo que se dá apenas por hobby e vaidade.


Já que, para evolução de caráter provavelmente não há tempo hábil, tenha ao menos a GENTILEZA de não humilhar o país que te enriquece à duras penas. Esse povo que consome suas cervejas e seu ketchup, não merece esse seu sadismo social, não merece essa humilhação.


Por fim, nesse recorte particular, esse editorial te pede que não nos processe e que, por favor, perdoe essas ofensas, bem como a Receita Federal perdoou mais de 50% da sonegação da sua empresa Ambev no Refis de 2018, mesmo ano em que a empresa, em gravíssima "dificuldade", suponho, reclamava da hiperinflação na Argentina (filha de Macri, seu "Hermano" liberal), mas, distribuía R$ 8,6 bilhões de lucros e dividendos (pág 2) aos acionistas. (Ainda assim pensando em nos processar? Temos uma semana de existência, vai conseguir menos do que essa doação medíocre que você faria se fosse um homem de R$ 1 milhão, fique a vontade se achar que a crítica "sobrou").


Fica a dica: Quando for doar pouco, doe calado, seu... (respiro fundo); E quando for doar muito, que tenha mais doação do que espetáculo, porque o tempo de publicidade obtido na TV (globo, cultura, band e outros) com essa "doação" , vale muito mais do que os míseros R$ 500 mil propostos.

A ajuda que o Brasil precisa:

Chega de demagogia, hipocrisia e humilhação. Senhores Ricos (+), os convido nesse exato momento a se juntarem aos nossos leitores e à sociedade civil brasileira e assinarem uma petição online em que pedimos que os parlamentares, em regime de urgência, promovam uma reforma tributária com uma proposta racional e absolutamente proporcional de Imposto de Renda Único que some todos os rendimentos do cidadão (salários, pró-labores, pensões, aposentadorias, benefícios, lucros, dividendos, aluguéis etc.) e aplique sobre essa renda universal a alíquota relativa única, garantindo a aplicação da impessoalidade sobre a tributação de renda e com um cálculo simples, moderno e justo.


P.S.: caso considerem o nome “IRúnico” demais, podemos fazer um “rebranding” ao gosto do freguês.

Saiba mais dobre o projeto de Imposto sobre a Renda Total, clicando aqui.


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