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OPINIÃO | Brasil: Pátria amada por quem?

Sabemos mesmo que país é esse?

Nos últimos tempos têm aumentado o número de pessoas que buscam açougues, mercados e frigoríficos em busca de ossos e outras carcaças de animais, antes destinadas a produção de ração ou para o lixo. | Foto: Prefeitura Municipal de Bonito (MS)

Agora que o país entrou na reta final para as próximas eleições ao governo federal, uma visão mais aprofundada do presente pode revelar os grandes obstáculos que a população terá de enfrentar até que a mudança ocorra.


A atuação política ainda em curso espalha uma realidade com tons que vão do bizarro à crueldade, passando pelas encostas do descaso e pelo teto da euforia em gastos exorbitantes, criando uma paisagem bastante parecida às terras fartas do leite e do mel, com a certeza de que a abundância não será destinada a quem de direito, mas desviada como um rio que dará cor e vida aos jardins dos majestosos e extravagantes eleitos para o mal coletivo e para o bem dos amigos do rei.

Na última semana, Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, virou notícia e foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, após a foto de uma viagem em família para Dubai viralizar, no momento em que o país sofre com a alta do Dólar e piora dos indicadores econômicos. | Foto: Reprodução Redes Sociais

Dentro de uma necessidade absoluta para transporte e distribuição dos itens de consumo, a gasolina atingiu o maior patamar já visto na história brasileira, deixando seus postos espalhados pelas cidades com vários hiatos entre os consumidores, revelando que o produto deixou de ser algo alcançável apesar de sua importância e mudando, inclusive, o conceito do aparato que mede e registra seu custo na hora do abastecimento. A bomba agora é outra.


Diante de risos escancarados e com demonstrações de uma irritação típica de rei incomodado, a alta nos preços de quase tudo ganha uma força parecida com aquela de quem joga pedra nas vidraças do vizinho, pelo simples gosto de provocar uma situação pueril, longe de ser vista pelo réu como algo perigoso e invasivo ao que não lhe pertence.


Imagens circularam pela internet, de flagrantes de pessoas cercando caminhões de lixo em busca de alimentos que possam ser aproveitados.

Seguem-se, também, e com bastante benevolência aos usuários, viagens das mais longas possíveis, alcançando renomados hotéis de custos que fariam cócegas aos bolsos dos magnatas de Wall Street, mas que deixam buracos espalhados pelo país, crescentes com a falta de recursos dos vulneráveis, secando ainda mais a terra sertaneja, aproximando muito mais os famintos das caçambas de lixo, assustando pacientes em tratamentos pesados e delicados como câncer, sofrendo com a falta de insumos que devem garantir a vida e fazer valer os esforços dos profissionais de saúde que não só conhecem o corpo humano, mas também o sofrimento que o envolve e se acentua na falta de amparo, um direito negado, arrancado e posteriormente transformado em brinde pelas offshores de quem entende de dinheiro, de economia e de esperteza.


CPIs, revelações na mídia nacional e internacional, transformação da imagem do país em algo parecido com um trapo, na visão de quem conhece o potencial que temos, em contraponto aos escândalos de quem, com também bastante potencial ao abuso e ao descaso, imita em bom tom a gargalhada afrontosa daquele que orgulhosamente vê como pai. Pai que deixa órfãos aos milhares, filhas viúvas e desamparadas, netos e bisnetos ainda distantes de vislumbrar um futuro, com a dignidade que se perde pelas mãos e bocas dos que enxergam a população sofrida brasileira como produtora escravizada de caviar e outros detalhes dos banquetes, que fazem em celebração à alta capacidade roedora que adquirem numa carreira política.


Os próximos meses estarão cercados de ferocidade e transações absurdas para que o poder se mantenha diante das urnas e do desejo pelo ouro, pelo diamante, pelas massagens nas ilhas paradisíacas do Oceano Pacífico e festas exclusivas regadas ao bom whisky.


O detalhe sórdido da propagação violenta de fake news foi uma estratégia muito bem montada pelos que hoje aí estão, eleitos e cercados de imunidade. Uma escolha feita a partir de estudos e pesquisas que revelaram a fórmula perfeita para convencer e agarrar uma parte da população propensa a acreditar na realidade que lhes é apresentada, longe, muito longe de um equilíbrio racional para buscar a veracidade de fatos. Como uma bala de canhão abre enorme buraco no navio que segue bem, aos poucos foram minando a moralidade com a mesma astúcia em que escondiam suas verdades podres e maldosas.


O veneno escondido na maçã foi espalhado com muito gosto para quem acredita na bondade de fachada, nos discursos separatistas, na fé superficial, morna e hipócrita. Acertaram a mosca eleitora que se achava abelha rainha.


Os preços das necessidades básicas disparam a cada dia, já tendo atingido índices bem alarmantes para uma sociedade que está com desemprego, inflação, miséria, insegurança e desvalorização da moeda em velocidade crescente. Os índices podem mostrar ou enganar a realidade, mas é inegável que vivemos um período de grande assombro e exaustão que tem nos levado para lugares diferentes, num misto de desorientação e falta de recursos.

Com o fim dos estoques reguladores, o preço do arroz foi um dos que mais sofreu com altas repentinas nos últimos tempos | Foto: Alex Ferreira / Reprod. Diário do aço

Não existem grandes evidências que assistiremos a punições exemplares aos corruptos e malfeitores, nem tampouco uma devolução efetiva aos cofres públicos. Por outro lado, mesmo diante de notícias falsas e assuntos irrelevantes como se vê por aí o tempo todo, a inércia na pesquisa, tão disponibilizada hoje pela tecnologia na ponta dos dedos, somada ao conformismo de que nada mudará, será sempre a forma mais generosa de dar aos algozes, seu trunfo.


Que o mundo não segue muito bem, já sabemos há muito tempo. A diferença está na parte do mundo onde se vive, sendo o Brasil um exemplo de riqueza que muitos oferecem de mão beijada ao candidato de ficha corrida, histórico de enganador e arrogância pronta para ser explícita segundos após a apuração.


Em três anos a ciência foi atropelada, a educação foi excomungada, a saúde atingiu o pico do desmonte. A mulher, o índio, o negro, o direito à igualdade e a população inteira só perderam. Um governo que age na base do vale quanto pesa, que fragmentou a população dividindo-a em grupos, oferecendo no final uma coisa só, a todos: Os devaneios de quem não tem poder de síntese, e as loucuras de um rei que não foi chamado de cachaceiro, mas que nunca saiu de sua embriaguez, escondendo-a com lágrimas de birra no banheiro do palácio. Ele seguirá com suas gargalhadas. A única coisa que consegue fazer diante do sofrimento que impôs ao país.


Esse último exemplo de escolha desastrosa diante das urnas vem deixando marcas profundas numa economia inversa, cortes largos nos direitos, esfacelamento de valores, enaltecimento à blindagem da falcatrua, exposição ridícula de condutas ministeriais ultrapassadas, elevação absurda de preços que não voltarão ao normal, assim como a desvalorização salarial, já consolidada.


Não dá para saber até quando ouviremos gargalhadas diante de uma montanha de crimes. O bom mesmo é fechar os ouvidos e abrir os olhos, sem esquecer o preço pago por eleger um presidente fake. Na moral.