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Luz, Câmera e pouca ação: O curioso caso dos criminosos tímidos

Atualizado: 28 de jul. de 2021

Livro “Pobreza à brasileira” previu que câmeras nos uniformes iriam reduzir violência e letalidade policial.

Atualmente 3000 policiais de 18 batalhões já utilizam as câmeras acopladas ao uniforme, mas o Governo de São Paulo já prepara edital para aquisição de outros 7 mil equipamentos.

Nas últimas semanas o assunto que mais chamou a atenção dos jornais foi exatamente essa inovação no trabalho da polícia. Uma medida incentivada há anos por defensores dos direitos civis, a câmera nos uniformes sempre enfrentou resistência dos policiais que se sentem vigiados. Porém, o fato é que apenas um mês após a implantação de um sistema piloto com apenas 3 mil câmeras, correspondente a 3% do efetivo na ativa, a taxa de letalidade da polícia militar do estado de São Paulo já reduziu ao menor nível em 8 anos e nos 18 batalhões que já adotaram a novidade, a letalidade em confrontos foi a ZERO.


O livro Pobreza à brasileira passa longe de ser uma obra de críticas sobre a segurança pública. O objetivo da obra, como aponta o título, foi falar sobre todos os aspectos da pobreza no Brasil, mas não há como falar da pobreza, sem falar da violência sobre pessoas negras, realizada por uma das corporações que historicamente mais humilha e oprime populações pobres, em especial o recorte de pessoas negras residentes em favelas.

O capítulo 11.6 do livro destaca:


“Não é aceitável que menos do que 100% das ações policiais sejam filmadas por dispositivos instalados na viatura e na farda dos policiais... ...As imagens desses dispositivos podem ser tornadas públicas, resguardando a privacidade de todos os filmados, sempre que uma conduta inapropriada for notificada. Assim, caso a acusação seja infundada, os policiais rapidamente se livrarão dos entraves burocráticos; já se a denúncia for procedente, poderá haver a pronta reparação e responsabilização dos equívocos e excessos cometidos. Essa é uma medida simples, relativamente barata e que teria efeito imediato sobre os índices de abuso policial. Sob o controle da controladoria e corregedoria das polícias, essas imagens dariam celeridade a processos disciplinares que hoje podem levam anos.”

Pobreza à brasileira, p. 191 (Coleção Dossiê)