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Lockheed Constellation - O golfinho voador

Em plena década de 40 surge o "Golfinho Voador", O Connie, um avião memorável que ganhou o mundo.

Lockheed Constellation TWA - óleo sobre tela - Benjamin Feudenthal

Estar hoje numa sala de embarque de qualquer aeroporto do mundo é um espetáculo, até mesmo para aqueles que são mais apaixonados por carros ou outro meio de transporte. As vidraças mostram uma verdadeira passarela de aviões que chegam e saem a todo instante e é mesmo interessante ver, não só os tipos de aviões, mas também suas cores, tamanhos, aerodinâmica...


Com o passar dos anos as empresas fabricantes foram aprimorando seus modelos para que ficassem maiores, com maior capacidade de alcance, transporte de passageiros e carga, garantindo segurança e conforto para alcançar pontos distantes do globo, na maioria das vezes, sem a necessidade de uma escala técnica para reabastecimento.


Assim, os aeroportos hoje são capacitados para receber aeronaves modernizadas com dois ou mais motores, de diferentes bandeiras e tamanhos e enchem os olhos de quem está numa dessas salas à espera de seu voo. É mesmo um espetáculo observar seus movimentos, incluindo pousos e decolagens.


Fosse possível hoje uma antiga aeronave aparecer num desses aeroportos, certamente teria todas as atenções voltadas a ela. A fabricante norte americana Lockheed utilizou todos seus esforços com engenheiros, matemáticos, mecânicos, físicos, químicos e designers, além de outros profissionais para lançar uma aeronave quadrimotor (quatro motores) com uma fuselagem que lembrava um golfinho. O Constellation, ou Super Constellation, recebeu o apelido de Connie e teve uma campanha publicitária que incluiu grandes atores da época, convidados a voar naquele que seria um dos mais charmosos aviões até então construído. Isso tudo na década de 1940.


Previamente elaborada para atender necessidades militares, a aeronave demonstrou um bom desempenho e não demorou muito para empresas aéreas da época, como a Trans World Airlines – TWA, começarem a investir nesse projeto junto à Lockheed para garantir uma modernização de sua frota, de modo a atender as crescentes necessidades da época, em especial dentro dos EUA, país de dimensões continentais e distâncias consideráveis de costa a costa, de leste a oeste.


Passou a ser o primeiro controle de voo com auxílio hidráulico do mundo, numa fuselagem curva totalmente desenvolvida para receber hélices de 4,62m de diâmetro e, em consequência do turbilhonamento gerado pelas mesmas, mantinha uma sessão de ré curvada para cima, com cauda tripla.


Elegante e poderoso, o Constellation surgiu como primeiro avião pressurizado do mundo, tornando as viagens aéreas mais acessíveis e mais agradáveis, passando a servir várias empresas dos EUA e da Europa. O Brasil, que na época tinha empresas como a Real Aerovias e Panair, além da própria Varig, passou também a utilizar esses aviões nas suas viagens domésticas e intercontinentais, alcançando lugares distantes do globo num tempo mais curto.

Lockheed Constellation da VARIG voando pela costa brasileira. | Reprodução: Ciência e tecnologia em foco.

Não demorou muito para que alguns recordes fossem estabelecidos pelo Super Constellation, o Connie. O primeiro deles em 1944, com um voo da Califórnia a Washington num total de 6 horas e 47 minutos, com uma velocidade média de 532 km/h.


Alguns anos depois, em 1957, o Super Constellation já estava com sua versão mais alongada, recebendo a designação L1649A e, na ocasião voou de Londres a San Francisco em 23 horas e 19 minutos, com uma velocidade média de 369 km/h. Este novo recorde permanece nas mãos da Lockheed até hoje, uma vez que os atuais modelos conseguiram voar 22 horas e 44 minutos, como aconteceu com o Boeing 777, um bimotor em operação desde 1995.


Os charmosos Connies transportavam de 95 a 107 passageiros com uma capacidade de carga de 29.620kg e apesar de apresentarem problemas nos motores, principalmente no que diz respeito a fogo, voaram por aproximadamente 40 anos. A Varig, por exemplo, voava com essas máquinas de Buenos Aires a Nova Iorque, com escalas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Santo Domingo, na República Dominicana.


Considerando os percursos longos, a fuselagem alongada da aeronave permitia fornecer um bom conforto a bordo, com poltronas mais espaçosas e inclusive alguns leitos, para que passageiros pudessem descansar durante a viagem.

Uma das características que mais chamavam atenção à época era o confortável espaço interno do Lockheed Constellation; Um verdadeiro sonho se comparado ao conforto e espaço oferecidos hoje.

Por volta dos anos 60 começaram a surgir os aviões a jato, como o Boeing 707, Convair 880 e Douglas DC8, deixando esse queridão dos ares obsoleto para os concorrentes mais modernos. Com o advento dessas novas aeronaves, os Super Constellation começaram a perder espaço nas rotas internacionais, inevitavelmente supridas por jatos mais rápidos e com maior alcance e passaram a operar apenas em rotas domésticas, tanto nos EUA quanto em outros países, até que efetivamente saíram de cena. Em 1967 fizeram seus últimos voos com passageiros e, um ano depois encerraram suas operações, também na modalidade cargueiro.


Ainda hoje existem algumas aeronaves remanescentes que eventualmente fazem voos com apreciadores e estudiosos da aviação, trazendo a esse público toda a experiência de como era voar a bordo dos golfinhos, dos Connies, do Super Constellation.

Lockheed Constellation da PANAIR do Brasil

Sem dúvida seria um show à parte poder presenciar aeronaves desse tipo e porte hoje, em contraste com as modernas aeronaves que circulam pelos aeroportos, como é o caso do Airbus A380 e Boeing 777, entre outros. Uma evolução dentro da indústria aeronáutica, mas sem perder todo charme e beleza desses que antecederam e ajudaram na evolução das aeronaves.


Um dos últimos Lockheed Super Constellation remanescentes no mundo, apresentando um clássico problema de seus motores, o incêncio.