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Boeing 737/200 - O "Breguinha"

O Boeing que levou "Emoções" aos quatro cantos do Brasil.

PP-SMA, o primeiro 737 do Brasil. | Foto: Reprod.: Cultura Aeronáutica

Era novembro de 1933 quando a extinta VASP – Viação Aérea São Paulo – fez sua cerimônia de inauguração, mais precisamente no Campo de Marte. Durante a expansão da cidade de São Paulo, uma forte influência francesa permeava seu crescimento, e não foi por menos que um pedaço de Paris se encaixou na crescente metrópole. Champ de Mars entra na história paulistana como um aeroporto, com pista que levaria aos céus do país máquinas possantes, aladas e desejadas desde Paris por Santos Dumont, nosso brasileiro inventor e idealizador.


A VASP foi crescendo em altura e frota, sempre atenta aos lançamentos da indústria aeronáutica e, em 1969, recebe da fabricante Boeing o que viria a ser em curto prazo um grande sucesso de vendas, o Boeing 737. Bimotor com pouco mais de 30 metros de comprimento e uma autonomia de 2.855 km, suficiente para cumprir com folga a rota São Paulo – Recife, oferecendo confortáveis 109 assentos.


Não demorou muito e a empresa chegou a ter 40 aeronaves desse tipo em sua frota.

Numa campanha publicitária conferida com a genialidade do maestro Theo de Barros surge o “jingle” que lhe conferiu notoriedade e preferência de muitos passageiros. A mensagem musicada de 1972 convidava pessoas a voar de leste a oeste, de norte a sul, apertando o cinto e soltando a imaginação no céu azul com quem gosta de voar. Com Theo a VASP abria suas asas com ternura para ganhar altura, viajar e voar.


Na data em que o rei Roberto Carlos completou 80 anos, a VASP volta a ser lembrada como peça importante para divulgação de música e apresentações do cantor por diversas cidades do país. O projeto musical “Emoções” precisava de agilidade e espaço para transportar som e iluminação, oferecendo também conforto aos ocupantes. Num contrato inédito, Roberto Carlos arrenda da VASP o Boeing 737-200 prefixo PP-SMF. Com “Emoções” estampado na aeronave percorreu 19 cidades num período de 40 dias e o rei conseguiu na década de 80 levar seu sucesso a 600.000 pessoas. Mais uma vez a VASP distribuía música pelo país e, lembrando o sucesso de seu jingle, viveu emoções em cada chegada com um passageiro ilustre a bordo.

Boeing 737-200 PP-SMF, arrendado para a turnê Emoções, de Roberto Carlos, 1983 | Foto: Paulo Laux / Reprod.: Aeroin

Rita Lee, outro ícone da música brasileira, chegou a dizer que Roberto Carlos era um Boeing no país dos teco-tecos. Elogio ou crítica, a verdade é que nas asas de um jato o rei chegou a seu público e teve gente que mesmo de teco-teco foi até ele viver esse momento lindo.



Roberto Carlos desembarcando do avião Boeing, modelo 737/200 PP-SMF para realizar um show da turnê Emoções.

Com o passar dos anos o famoso Boeing 737 foi ganhando mais tecnologia e alcance, chegando à versão 737-800, sempre seguindo os princípios de segurança e eficiência, demonstrados desde os primeiros voos. Ainda hoje algumas empresas aéreas utilizam o 737-200 que, carinhosamente, recebeu o apelido de “Breguinha” e basta informar que ele vai pousar ou decolar e logo surgem inúmeros spotters, observadores e fotógrafos da aviação, clicando, vivendo suas emoções ao som de seus motores, no embalo de suas cores, com fones de ouvido que alegram ao ritmo de Roberto Carlos, de Rita Lee, cada um com seu tom, cada qual com suas asas, decolando e pousando nos ombros dos amantes dos ares e da música, soprando em seus ouvidos tudo aquilo que emoções e aviões podem proporcionar aos céus, aos ouvintes e aos viajantes.