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LISTA - 5 séries para entendermos a sociedade

Não há como analisar o presente, sem saber o que aconteceu no passado. Confira 5 séries épicas que mostram porque somos assim.

Black Sails (Neil Marshall, 2014) | Em cena:Long John Silver (Luke Arnold) e Capitão Flint (Toby Stephens)
"Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não para"

O Tempo Não Para - Cazuza


O mundo em que vivemos é cheio de defeitos. A espécie dominante, nós humanos, somos egoístas, gananciosos, bélicos e extremamente irracionais quando fatores como sentimentos e religião são considerados na equação, porém, embora pareça o contrário, as coisas estão melhorando e temos tudo para que as coisas melhorem em um ritmo cada vez maior. Como veremos na lista que preparei o, cobiçado e turístico, velho continente foi construído sobre campos de sangue e irracionalidade e se lá encontraram uma forma de frear os erros do passado e prover dignidade às pessoas para instalar um mínimo Estado de Bem-Estar Social, significa que podemos ter alguma chance também.


Como diria o Cleber: “sem mais delongas”, vamos aos nomes:


Os Bórgias (Neil Jordan, 2011)

Os Bórgias (Neil Jordan, 2011) | Em cena: Rodrigo Borgia (Jeremy Irons)

Por milênios grandes impérios se mantiveram firmados na certeza de que seus líderes foram escolhidos pelo próprio Deus.


Supostamente empossados por Deus, os reis tinham poderes supremos sobre o reino e tudo que nele era produzido. Da distribuição de alimentos, até as decisões de Guerra, tudo era decidido pelos reis. E se os reis eram empossados por Deus, quem era o mensageiro? O sacerdote, óbvio.


Não importa para qual reinado se olhe, o que todos têm em comum é a testemunha do Deus que passa o recibo e fica ao lado do monarca. Sacerdotes, bispos, bruxos, feiticeiros etc. Vários nomes para definir aquela figura mística e/ou mítica que garante, frente ao temor popular, que aquela pessoa é de fato o escolhido.


Os Bórgias é uma série que não mostra o sacerdote de um reino, mostra o sacerdote dos sacerdotes da Europa Renascentista, o Papa.


Rodrigo de Borja/Borgia foi o Papa Alexandre VI, sobrinho de Affonso de Borja (Papa Calisto III) e protagonizou um dos momentos mais decadentes do poder na Europa Cristã.

Uma série que na minha opinião faz House of Cards parecer sessão da tarde. Enquanto os EUA, ainda estão no 46º presidente, quando Alexandre VI assumiu o trono papal, a estrutura política do Vaticano já tinha assistido a 212 sucessões papais. Trama política de primeira, com um enredo histórico riquíssimo.


Disponível em: Starz Play


Marco Polo (John Fusco, 2014)

O capitalismo, a economia de mercado e a rota da seda.

Marco Polo (John Fusco, 2014) | Em cena: Kublai Khan (Benedict Wong) e Marco Polo (Lorenzo Richelmy)

A série é inspirada nas aventuras do Mercador Marco Polo que serviu de diplomata e braço direito nas decisões econômicas de Kublai Khan, o 5º grande Khan do Império Mongol.


Não se trata de uma biografia fiel, mas mostra muito bem como o “globalismo” é uma realidade antiga e em 1271 o dinheiro já ditava as regras e definia as prioridades políticas. O comércio internacional já acontecia em grandes volumes com rotas bem estabelecidas, acordos multilaterais, tributação de cargas, desembaraços aduaneiros e claro, guerras, sangue, sexo, belas locações, uma superprodução que não deu muito resultado para a Netflix, mas eu indico, porque nesse tempo o Atlântico ainda não havia sido cruzado, as Américas eram isoladas, habitadas por seus nativos e povos originários, então tudo nos parece muito novo, mas em 1.200, a rota da seda era muito mais do que uma rota comercial, era a prova de uma diplomacia pujante.


Onde assistir: Netflix


The Last Kingdom (Nick Murphy, 2015)

– Uma história de imposição da fé, pela força

The Last Kingdom (Nick Murphy, 2015) | Em cena: Uhtred (Alexander Dreymon)

Uthred (Alexandre Dreymon) é um personagem ficcional que homenageia uma figura que supostamente existiu com algumas diferenças em relação ao personagem em um período de mais de 100 anos após o período da história retratado na série, por volta dos anos 850 a 900.

A série consegue mostrar como todos nós, independentemente de religião ou origem, podemos ser bons ou ruins a depender do meio que vivemos e das necessidades que não nos são atendidas.


A série é uma óbvia crítica a obsessão de Alfredo O Grande (David Dawson) em reunir os reinos saxões naquela que seria tida como Inglaterra, sob uma perigosa premissa de alinhamento religioso. Logo, os vikings que tinham outra crença, em outros deuses, com outros dogmas e prioridades, eram vistos como inimigos imperdoáveis, inegociáveis e que deveriam ser extintos. De fato, muito menos organizados, foram expulsos daquela região, dando fim a idade do ferro e abrindo a idade média.


Uma das transições históricas mais sanguinárias, necessária para entender o caminho que nos levou a atual organização geopolítica europeia e que mostra a importância histórica dos mercenários guerreiros, muitas vezes escondidos pelas histórias oficiais que os reinos registram sobre si.


Disponível em: Netflix


Império Romano (David O’Neill e John Ealer, 2016)

O berço das instituições:

Império Romano (David O’Neill e John Ealer, 2016) | Em cena: Imperador Cômodo

O império Romano foi o mais importante dos impérios para o que hoje se entende como civilização. Se observarmos nosso cotidiano, encontraremos muita influência romana, desde o estado de direito, o ordenamento jurídico, organização e representação política. Se as partes boas carregamos até hoje, as partes ruins vieram junto, como por exemplo a grande influência dos mais ricos na representação política.


A série mistura cenas épicas, muito bem-feitas, com a narração de historiadores especialistas no estudo do Império Romano, um conteúdo rico que organiza as informações para o espectador e entrega uma porção daqueles momentos “noooossa, é por isso que...” em quem assiste.


Cômodo, Júlio César, Calígula, leis, senado, conselheiros, influência, hábitos... Não há como entender o mundo que nos rodeia, a força e onipresença do latim, o desejo sexual e a opulência humana, sem entender o que foi o Império Romano, dada a importância dessa influência que persiste até hoje.


Onde assistir: Netflix


Black Sails (Neil Marshall, 2014)

A resistência ao poder imposto, um sopro de esperança no coração dos sonhadores.

Black Sails (Neil Marshall, 2014) | Em cena: Capitão Rackham (Toby Schumitz) e a capitã Anne Bonny (Clara Paget)

À primeira vista pode parecer que a série é personalista, que tem um protagonista e os coadjuvantes, mas essa série não conquistou o primeiro lugar por isso, pelo contrário, é o simbolismo do que ela representa que a trouxe até aqui.


Black Sails se passa em Nassal, uma ilhota nas Bahamas, o refúgio dos errantes, dos condenados, dos injustiçados, perseguidos e escravizados. Nassau foi a república pirata que tentou resistir a expansão do capitalismo de sangue e vislumbrou naqueles perseguidos pelos mandos e desmandos do velho continente, a chance de um recomeço no ainda pouco conhecido novo mundo.


Até hoje rotulam de pirata tudo o que há de ruim, ou de falso na sociedade, mas o que a série mostra é uma realidade de convivência marginal. Homossexuais, ex-marinheiros descartados pelas coroas, escravos fugitivos, imigrantes de todas as regiões do mundo, prostíbulos, bares, hospedarias, tráfico. Tudo aquilo que existe desde que o mundo é mundo, mas ali também se desenha uma verdadeira democracia representativa com voto direto e direitos inimagináveis para a época.

Black Sails (Neil Marshall, 2014) | Em cena: capitã Anne Bonny (Clara Paget)

Através da democracia pirata, a tripulação de um navio poderia, por exemplo, através do voto direto escolher seu capitão e, por vezes, o capitão deposto continuava atuando como parte da tripulação, um espírito democrático de fazer inveja no “Aécio Snows”... Diferente dos cornéis que à essa época já começavam o reinado das dinastias brasileiras, capitães de Navio não eram incontestáveis, tinham “contra-mestres” que eram o elo de ligação entre a tripulação que caso discordasse de decisões dos capitães, poderiam pleitear mudanças por meio dos contramestres. Coisa fina!


Uma democracia prática e representativa que colocou mulheres no comando de navios. Capitãs de dezenas, centenas de marujos, escolhidas por força do voto direto e respeitadas por sua posição em uma época que a mulher era uma mera serva das vontades de seus maridos.


Longe de ser uma utopia pacífica, a série retrata os crimes, saques, revoltas, rebeliões e batalhas em alto mar de tirar o fôlego. Cenas e diálogos que fazem jus a curiosa história da ilha dos excluídos.


Onde assistir: Starz Play


BÔNUS: O reino perdido dos Piratas (Patrick Dickinson e Stan Griffin, 2021)


Em cena: Anne Bonny (Mia Tomilins) e capitão Rackham ( ), um casal pirata real.

Indo direto ao ponto, como eu sei que vocês ficarão órfãos de Black Sails, porque a série é realmente muito legal para quem curte uma boa aventura épica.

O Reino Perdido Dos Piratas é uma série documental dramatizada no mesmo estilo de Império Romano. O mais legal é que depois de assistir Black Sails, você pode reconhecer alguns dos muitos personagens da série da “Starz Play” na série da Netflix.