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Critica – Viúva Negra (Cate Shortland, 2021)

O filme solo da Viúva Negra é repleto de tiro, porrada e bomba, é mais do mes... da Marvel.

Viúva Negra (Cate Shortland, 2021) | Em cena: Natasha Romanoff (Scarlett Johansson)

O corona vírus atrapalhou tudo como já estamos cansados de saber e de falar, com a Marvel não foi diferente, uma das maiores produtoras de cinema do mundo passou o ano de 2020 sem lançar absolutamente nada inédito, algo que não acontecia desde quando a história d´Os Vingadores (Joss Whedon, 2012) começou a se cruzar com Homem de Ferro (Jon Favreau, 2008) esse é o motivo de muita gente estar roendo as unhas por um filme de herói, ou seria “herói” – sabemos que esse Viúva Negra é um filme de despedida de Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), que durante anos foi nada mais que uma coadjuvante. Depois o público acabou se afeiçoando à personagem e lógico que a Marvel não iria perder a chance de um filme solo para arrecadar mais alguns milhões, fato é que, o filme é pífio, o estúdio perdeu a chance de explorar melhor a espiã.


O filme é, basicamente, uma volta ao passado da protagonista, sobre a qual pouco ou nada se sabia. Até aí é justo, os mais curiosos ficam satisfeitos.

Viúva Negra (Cate Shortland, 2021) | Em cena: Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) e Yelena (Florence Pugh)

Logo no começo do filme fica claro que ela faz parte de uma experiência governamental para que ela se torne uma espiã e assassina, a maior assassina que existe, só que com o andar da carruagem ela descobre que sua família não era sua família de verdade e sim espiões russos. Anos se passam e Natasha reencontra sua irmã Yelena (Florence Pugh), que a recruta em uma missão para salvar outras mulheres, vítimas do programa da Sala Vermelha.


Os tropeços começam, o filme tem não só o intuito de arrecadar mais alguns milhões de bilheteria e assinaturas no Disney+, mas também de entregar um filme que passe a mensagem de que a personagem cumpriu com a sua missão e tudo isso acontece da forma mais genérica possível, com longas cenas aéreas de ação para impressionar, muita correria, tiroteio e atrizes envelopadas em colã, fazendo poses sensuais, aliás, um dos melhores momentos do filme é quando Yelena (Florence Pugh) tira um barato das poses que Natasha (Scarlett Johansson) faz quando cai de certa altura.


Ao invés de aproveitar a situação que tem em mãos, estamos falando de um filme de protagonismo feminino, a diretora e os roteiristas, claro, preferiram entregar um derivado de Capitão América e o Soldado Invernal (Anthony & Joe Russo, 2014).

Viúva Negra (Cate Shortland, 2021) | Em cena: Yelena (Florence Pugh) e Natasha Romanoff (Scarlett Johansson)

O pior mesmo é como a Marvel simplesmente não consegue tratar com dignidade o abuso como tema. Sim, o filme toca no assunto, mas de forma forçada, parece que faz apenas por obrigação, como parte das escolhas feitas pelo estúdio. Poderíamos ter tido um filme que contasse a história de Natasha sem esses típicos traumas e nuances, mas...

O público que busca por ação frenética e cenas enlouquecedoras como mencionei acima, com certeza vai ficar satisfeito, a diretora Cate Shortland – a mesma da minissérie Falcão e o Soldado Invernal – tem personalidade e as cenas de ação são a prova disso, porém, são cenas repetitivas, tantas lutas e explosões que acabam saturando, o lado bom do filme fica todo por conta de Florence Pugh, que, para a surpresa de absolutamente ninguém, consegue arrancar uma boa atuação de uma personagem quase petrificada, mas o resultado final é mais do que a Marvel fez todos esses anos, desperdiçou a personagem e agora, já era.



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