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Critica – Um Lugar Silencioso – Parte II (John Krasinski, 2021)

(Contém SPOILLER)

Se o primeiro filme já não era grande coisa, a segunda parte não evolui por conta da trama estagnada.

Um Lugar Silencioso – Parte II (John Krasinski, 2021) | Em cena: Evelyn (Emilly Blunt), Regan (Millicent Simmonds) e Marcus (Noah Jupe)

O primeiro filme da franquia Um Lugar Silencioso, contava a história da família Abbott que se situava no meio-oeste americano quando, do dia para noite a terra foi invadida por criaturas estranhas.


Nada se sabe sobre essas criaturas, nem de onde vieram e nem o que querem, só o que sabemos é que são monstros assassinos e que são guiados por sonoridade, ou seja, eles têm uma audição aguçada, o menor ruído já é o suficiente para localizarem suas vítimas.


A família Abbott, composta por Lee (John Krasinski) e Evelyn (Emilly Blunt) e seus três filhos, passa então a fugir incansavelmente dos monstros e se instalam em uma fazenda abandonada. Uma porção de coisas acontecem durante essa fuga, o filho mais novo da família é morto por um monstro e a esposa, Evelyn, acaba engravidando e dando a luz ao filho em meio a todo esse caos, aliás, a cena do parto é um dos poucos momentos realmente bons do primeiro filme.

Um Lugar Silencioso – Parte II (John Krasinski, 2021) | Em cena: Evelyn (Emilly Blunt) e Marcus (Noah Jupe)

O segundo filme começa com o Dia 1, um dia comum na cidade de origem da família, lá os Abbott estão assistindo uma partida de beisebol do filho Marcus (Noah Jupe), quando o que parece ser um asteroide, meteoro ou sei lá o que, passa no céu e todo mundo deixa o jogo, quando de repente, os monstros invadem a cidade e começa a correria, essa é tranquilamente a melhor sequência do filme. Logo após a correria, somos colocados exatamente onde o primeiro filme acabou, quando Evelyn e Regan (Millicent Simmonds), sua filha surda-muda descobrem como combater as criaturas.

O primeiro filme agradou muitos, tanto a crítica quanto o público que lotou os cinemas, até porque era uma novidade, tratava o silêncio como uma “arma” essencial e era isso. A própria história já era um fiasco, o que já tínhamos visto inúmeras outras vezes em filmes de terror, estava acontecendo ali diante dos nossos olhos, de novo, só que com um artifício diferente e que eu, particularmente, não achei o suficiente para aguentar o tranco do filme. O que quero dizer é: Se não fosse essa “sacada” do silêncio, estaríamos diante de mais do mesmo.


A segunda parte abre com uma cena muito bem dirigida por John Krasinski, mesmo sendo previsível, a câmera consegue sufocar o espectador, causa uma tensão após o fim da sequência.

Um Lugar Silencioso – Parte II (John Krasinski, 2021) | Em cena: Evelyn (Emilly Blunt)

Quando o filme começa onde terminou o primeiro, já conhecemos os personagens, já sabemos qual é a realidade e esperamos alguma novidade e essa espera nunca termina, porque a história é outro fiasco, uma correria sem fim, uma fuga que sai do nada para lugar nenhum, o que dá a impressão de que ainda estamos no primeiro filme, em uma versão estendida, ao invés de uma continuação com alguma novidade. Nem o trabalho de criar novos personagens não foi feito.


A única novidade fica por conta de Emmett (Cillian Murphy), um conhecido da família, não tem qualquer profundidade, não sabemos nada sobre ele, exceto o básico, que não ajuda muito. Ou seja, ele foi escrito exclusivamente para salvar a família e dá um gancho para um terceiro filme que, depois da última cena, parece ser inevitável e lamentável ao mesmo tempo.


O filme estava originalmente programado para estrear em 2020 e acabou sendo adiado inúmeras vezes por conta da pandemia, adiado especialmente porque o Krasinki queria – e conseguiu – que seu filme estreasse nas telonas e não direto nos streamings como anda acontecendo mais do que o normal. É perfeitamente entendível o que o diretor quisesse causar tensão no cinema, na tela grande e claro, com um som perfeito, porque mais uma vez, o filme se apoia exclusivamente nisso, no som. O primeiro ainda conseguiu algumas indicações a prêmios, como ao Globo de Ouro de melhor trilha sonora, ao Oscar de melhor som e a vitória de Emily Blunt no SAG, o que definitivamente não voltará a acontecer com essa sequência, porque como eu já disse, é um filme que repete tudo o que fez no primeiro, igualzinho, sem tirar nem por.


Por fim, Um Lugar Silencioso – Parte II é redundante, repetitivo e não sai do lugar.