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Critica: Tungstênio (Heitor Dhalia, 2018)

O diretor Heitor Dhalia é um dos melhores diretores que surgiram nos últimos anos, mas sinceramente, que filme tenebroso esse, não?

Tungstênio (Heitor Dhalia, 2018) | Em cena: Poró (Sérgio Laurentino)

O nosso cinema, como estamos explorando nas ultimas semanas e vamos continua durante as próximas, tem muitos talentos, muitos mesmo, desde sempre e a cada ano surgem mais e mais, Heithor Dhalia é um deles, diretor dos ótimos O Cheiro do Ralo (2006) e Serra Pelada (2013) e de A Deriva (2009) que eu confesso não gostar muito, mas tem seu valor, Dhalia é um diretor independente e que logo mostrou seu talento e seu estilo, mas seu mais recente trabalho, Tungstênio esbanja estilo na direção e só, acaba por ai, não da pra entender. Os talentos não ficam apenas atrás das câmeras, o especial que tá rolando aqui no site todo sábado, mostra os inúmeros talentos que interpretam e nos fazem sentir, mas pra cada talento, tem um ou outro que ... não dá, os roteiristas então, mas vamos lá.


O filme é uma adaptação de um HQ nacional, escrito e desenhado por Marcello Quintanilha mas o problema do filme já começa ai, no enredo, nem todo filme precisa de uma história mirabolante e nem nada disso, mas esperamos que seja no mínimo algo que seja interessante, mas olha só, a obra se passa em Salvador, Bahia e tudo começa porque dois pescadores estão no mar, próximo ao porto e explodem bombas para pegar alguns peixes o que é ilegal, em terra, ali próximo, Ney (José Dumont) e Caju (Wesley Guimarães) escutam a bomba e o senhor Ney, um ex-militar, começa surtar e ameaçar o garoto Caju, que por um motivo – completamente estúpido – resolve envolver o policial militar Richard (Fabrício Boliveira) na situação, é ai que tudo vira uma bagunça sem sentido algum, pra ajudar, ainda temos no paralelo, Keira (Samira Carvalho) contando, avulsamente, que está com problemas no relacionamento com Fabrício, ela não se conecta com o restante da “história”.

Tungstênio (Heitor Dhalia, 2018) | Em cena: Ney (José Dumont) e Caju (Wesley Guimarães)

O fiasco de história simplesmente não tem emoção, não tem nada ali, poderia ser tranquilamente um curta de 20 minutos, é tanto o fiasco que o filme tem meros 70 minutos, a situação toda é uma bobagem, os personagens não tem absolutamente nenhuma profundidade e mesmo que tivesse, eles não são interessantes o suficiente pra que nós,o público queiramos entrar em suas vidas, mas os problemas continuam. O roteiro nem se preocupa em se aprofundar nos personagens, talvez o material original também não tenha isso, Fabrício Boliveira fez o melhor que pode com o personagem que tinha em mãos, mas não foi o suficiente, ficou canastra demais como um policial marrento e macho alfa, o militar por José Dumont faz muitas caras e bocas, berra o tempo todo e como não sabemos porque ele tem esse persona, fica meio vago, o melhor do elenco é o jovem Wesley Guimarães, que tem um ar natural da Bahia, tem os trejeitos necessários e o sotaque perfeito pra falar o dialeto baiano, alias, quem não conhece o dialeto, bom assistir com legenda e por fim, pra que raios aquela narração em off do Milhem Cortaz?


O desastre só não é maior porque Dhalia empregou um estilo interessante, as cenas rápidas, com alguns slow motions e paradas repentinas deixam o filme mais dinâmico, mas essa é a única qualidade do filme, só pra ficar bem claro, porque de resto, nada se salva.

Tungstênio (Heitor Dhalia, 2018) | Em cena: Caju (Wesley Guimarães) e Richard (Fabrício Boliveira)