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Crítica: Round 6 (Hwang Dong-hyuk, 2021)

A Netflix e sua jogada de mestre – Round 6 tem tudo o que o espectador gosta e espera.

Round 6 (Hwang Dong-hyuk, 2021)

O cinema Coreano quebrou todas as barreiras possíveis em 2019, o filme Parasita, de Bong Joon–ho se tornou unanimidade em todos os cantos de planeta, ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o prêmio de melhor elenco no SAG (Screen Actors Guild / Prêmio do Sindicato dos Atores) e terminou vencendo quatro Oscars: Melhor filme internacional, melhor roteiro, melhor diretor e melhor filme, o primeiro filme na história a vencer o Oscar sem ser falado em inglês, foi um marco – o que isso tem com Round 6? Muita coisa, mas estou tentando fazer um paralelo, para aquela meia dúzia de pessoa que ainda tem preconceito com produções asiáticas, o cinema Coreano talvez seja um dos melhores da atualidade, logo, a televisão não ficaria atrás, estamos diante de um fenômeno mundial, tanto no cinema, como, agora, na televisão. A própria direção da Netflix já disse que a série de Hwang Dong-hyuk, foi a mais assistida da história da plataforma e todo esse sucesso tem um motivo.

O sucesso da Netflix segue passos parecidos com Parasita (2019) – mas vamos por partes, a ideia da série partiu do próprio diretor quando ele mesmo passou por inúmeros problemas financeiros, isso tudo quando ele já sabia que a humanidade tem um fascínio pelo espetáculo da violência. Juntou o útil ao agradável e a ideia surgiu.


Gi-hun (Lee Jung-Jae) é o que alguns chamariam de fracassado, ele mora com alguém, surrupia dinheiro de sua carteira e de sua conta bancária, tem uma filha que mora com a mãe e está desempregado, ele é o candidato perfeito para um estranho tipo de recrutamento de uma empresa que oferece a solução para todos os seus problemas financeiros, desde que você tope participar de um jogo do qual não sabe absolutamente nada a respeito.

Round 6 (Hwang Dong-hyuk, 2021) | Em cena: Gi-hun (Lee Jung-Jae)

O jogo em questão envolve mais de 400 pessoas, todos eles, aparentemente, na mesma situação financeira, todos precisam muito do dinheiro que o jogo oferece e não é pouco, mas os candidatos só têm noção do que é com o que estão lidando depois do Round 1, quando a brincadeira de “Batatinha frita 1, 2 ,3...” termina com metade dos jogadores “eliminados” da competição. A trama revela sua reviravolta mais inusitada: não é só o fato de que as pessoas “eliminadas” são, na verdade, assassinadas, mas também a de que mesmo sabendo disso, metade dos sobreviventes aceita seguir no jogo. O egoísmo – ou seria necessidade? – fala mais alto e os jogadores continuam, round após round, morte após morte, horror após horror, mas continuam com o jogo até o famigerado Round 6.


O jogo logo se transforma em uma carnificina e nós espectadores só queremos mais e mais, o espetáculo da violência é o nosso melhor entretenimento, pare para pensar: se em algum momento o jogo perdesse essa violência, com certeza acharíamos ruins, seria uma gincana do “Topa Tudo Por Dinheiro”, ou seja, quanto mais violento melhor – até ai tudo bem, a série trabalha a violência perfeitamente bem, junto disso temos a gama clássica de personagens o herói, vilão, o corrompido, o carismático, a irritante, o sem potencial mas que vai longe e o com potencial que logo se perde.

Round 6 (Hwang Dong-hyuk, 2021) Em cena: 306

A série tem personagens e situações para todos os gostos, não há do que reclamar quanto a isso. O problema da série está nas pontas soltas, o policial infiltrado que passa parte da série andando de um lado para o outro dentro da ilha e dos corredores e que acaba não fazendo muito sentido, não faz nenhuma diferença na trama principal.

O sucesso da série é composto por uma porção de fatores, mencionei tudo acima, uma boa trama, com um certo exagero na violência, um elenco pontual, mas isso é algo típico das produções coreanas e que nada afeta o todo, aliás, o exagero das atuações só dá mais emoção aos jogos, uma produção impecável, direção de arte, fotografia, edição e trilha sonora foram ótimas e um roteiro, repleto de reviravoltas, que consegue segurar, chocar, fazer com que tenhamos empatia e antipatia pelos personagens e especialmente pelas situações. As transformações, as perdas, os enganos, existe algo de perturbador até na maneira como nos comportamos enquanto espectadores, é uma ótima série que agradou todo mundo sem ressalvas, agora é esperar que a Netflix não estrague tudo com uma segunda temporada.

Round 6 (Hwang Dong-hyuk, 2021)

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