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Quarta-feira é logo ali...

Apesar da grita e da provável bagunça localizada, depois de terça vem a quarta.

Viaduto Santa Ifigênia | Foto: Willian Moreira / Reprodução Estadão Conteúdo
“Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.”

Profetizou, Nelson Rodrigues, com sua acidez característica. Não que ele esteja errado, realmente, os idiotas são muitos, nos EUA elegeram Trump e no Brasil, bom, não pega bem dizer, mas elegeram o Bolsonaro.


Antes de mais nada, gostaria de propor a seguinte hipótese: E se formos todos idiotas? Sim, independentemente do nosso voto nas últimas eleições, podemos partir do princípio de que somos todos idiotas, pessoas com atitudes impulsivas, desejos egoístas e hábitos perturbadores.


Sim, seres humanos são animais tão irracionais e passionais quanto qualquer outro, porém, nossa capacidade de vida em sociedade e de realizações coletivas, faz com que aprendamos, sob a vigilância diversa, a controlar boa parte dos nossos instintos pitorescos, não por acaso, os principais crimes acontecem em locais isolados do olhar alheio, algozes escolhem encurralar suas vítimas em locais discretos, com a menor chance possível de serem impedidos ou flagrados.

Uma semana estranha:


É uma verdade que nossa geração não está habituada a atitudes golpistas. Embora nosso meio-campo político seja muito delicado e dependente de acordos das mais diversas naturezas, nem sempre republicanos, eventualmente acabe em labirintos diplomáticos e ameaças constantes de impedimento do mandatário eleito, de modo geral, desde a redemocratização não se via um personagem tão disposto a declarar uma ruptura quanto o atual presidente.


Mais bravateiro do que metódico, Bolsonaro não parece reunir em si capacidade intelectual e moral de liderar uma insurgência contra a estabilidade democrática. Para isso ele precisaria que centenas de milhares de brasileiros armados se levantassem contra todas as instituições com a cara no sol. Teriam de enfrentar resistências institucionais e militares, seriam filmados, identificados, rastreados e presos. Policiais e outros servidores públicos seriam exonerados e perderiam todos os direitos previdenciários e outros benefícios próprios da carreira pública. Trabalhadores comuns demitidos por suas empresas, famílias em colapsos financeiros, fronteiras comerciais imediatamente fechadas, o real se desvalorizaria em uma velocidade nunca antes vista e a compra de produtos importados, incluindo o tão falado “trigo do pãozinho”, se tornariam inviáveis do dia para a noite.