top of page
whatsapp-logo-icone.png

publicidade

Mais Luiz Gama e menos Aureliano Coutinho

Escravagistas do século XXI, até quando irão acorrentar suas funcionárias domésticas aos pés do fogão?

Barbara (Karina Teles), patroa de Val (Regina Casé) está sentada a beira da piscina enquanto é servida por Val, de pé e usando avental.
Cena do filme: Que horas ela volta - Em cena: Regina Casé e Karine Teles

Dia 10 de Abril de 2021, cento e trinta e três anos após a, em tese, abolição da escravatura no Brasil, o jornal “Correio” na Bahia publicou matéria, assinada por Fernanda Santana, com a seguinte manchete “Empregadas são obrigadas a ficar em casa dos patrões ‘enquanto a pandemia durar’”.


“Aila não saiu da casa dos patrões por quase um ano. Eles queriam se proteger do coronavírus e o preço foi a liberdade dela, empregada doméstica que ficou privada da própria vida desde março do ano passado até fevereiro deste ano. Ela reclamava, era livre. “Mas é para o bem de todos”, respondia a patroa. Aila precisava do salário. Foi ficando naquele cárcere, por necessidade”

Ainda, na mesma reportagem,


“No Sindicato de Empregadas Domésticas da Bahia, no bairro da Federação, há um caderno em que estão anotados os pedidos de socorro de empregadas confinadas no trabalho. Já são 28 deles, segundo levantamento do sindicato para o Correio.”

Não nos olvidemos que, no Brasil, a primeira pessoa morta pelo corona vírus foi uma empregada doméstica, cuja patroa havia retornado de uma viagem da Itália e, mesmo ciente de que estava contaminada, exigiu que ela permanecesse com suas atividades laborativas. Afinal, se a patroa a estava pagando -a com soldos de cidadão, por que não fazer com que a empregada lhe beijasse as mãos?