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Em Genebra, segurança oferece ajuda para família de Jamil Chade

ERRATA: O fato aconteceu em Genebra na Suíça, e não na sede de Nova Iorque como informado originalmente. Parece surreal pensar que um diplomata e jornalista brasileiro, poderia receber oferta de ajuda para sua família, de um segurança. Mas foi isso que aconteceu.

Em entrevista para o canal do YouTube Meteoro Brasil, Jamil Chade relatou que em um dia como outro qualquer, em que ia trabalhar dentro do prédio da ONU, foi parado por um dos seguranças do estacionamento, que conhecendo-o e sabendo de sua nacionalidade, perguntou se havia alguma forma de eles (os funcionários da ONU) se unirem para levar a família do Jamil daqui do Brasil, para Genebra.


Segundo Jamil, isso se deve a percepção internacional a respeito do Brasil. A fala do segurança revela como a desastrosa gestão da crise sanitária no Brasil, tem repercutido em todo o mundo.


Em outro trecho, após ser indagado pela apresentadora Ana Lesnovski sobre a possibilidade de ajuda internacional para o Brasil, Jamil frisou que para além de um "pária" o Brasil é uma ameaça sanitário mundial e explicou que por boa vontade talvez essa ajuda não viesse, mas tranquilizou, apontando que para o mundo é importante que o Brasil tenha a crise sanada, porque enquanto a crise sanitária persistir aqui, a crise sanitária permanecerá no mundo.


Repercussão internacional:


Além de todas as críticas que se tornaram comuns no cenário internacional, condenando a condução da crise sanitária no Brasil, segunda-feira (05 de abril de 2021) o jornal britânico The Guardian subiu o tom contra o governo brasileiro e opinou sobre Jair Bolsonaro: "Um perigo para o Brasil e para o mundo".


A chamada do editorial vai ainda mais longo e na primeira frase classifica o presidente como sendo de "extrema-direita", um termo normalmente utilizado na Europa para se referir a um campo político antidemocrático, sem respeito pelas instituições e pelos direitos humanos.


O texto denúncia os recorrentes usos da Lei de Segurança Nacional que seu governo tem usado para perseguir opositores, como no caso Felipe Neto. A lei nº 7.170 de segurança nacional é considerada uma lei ultrapassada e autoritária, criada em 14 de dezembro de 1983, ainda no período da ditadura militar a lei permite uma interpretação ampla, sobre o que pode ser enquadrado como um risco a ordem, permitindo que o governo Bolsonaro a use para perseguir opositores.


Sem alívio, sem respiro e sem trégua o editorial prosseguiu tocando em assuntos delicados como as mais de 60 mil mortes por covid-19 no mês de março; criticou a falta de controle de circulação, o baixo incentivo para o uso de máscaras e o desencorajamento para o distanciamento social. Ainda sobre esse ponto, repercutiu o tweet do ex-presidente colombiano, Ernesto Samper, "Bolsonaro conseguiu transformar o Brasil em um gigantesco buraco do inferno", sem deixar o leitor esquecer que a variante P1, a mais contagiosa de todas está se espalhando pelo mundo em descontrole, em boa parte porque o governo brasileiro não fez a lição de casa.

O periódico ainda demonstrou profunda preocupação com as movimentações militares no governo Bolsonaro e destacou que nos últimos dias a cúpula militar brasileira foi inteiramente substituída, e chamou a atenção para o fato ter se dado após a volta de Lula para o cenário político.

"É possível que, inspirado por Donald Trump, o Sr. Bolsonaro pense em se agarrar ao poder pelo uso da força? Não. É provável. As Forças Armadas já anularam a vontade do povo antes: o Brasil foi uma ditadura militar de 1964 a 1985. Quando a multidão invadiu o Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro, seu filho se opôs não ao ataque, mas à ineficiência: “Foi um movimento desorganizado. É uma pena ”, disse Eduardo Bolsonaro."

O editorial do The Guardian termina dizendo que "existe algum motivo para esperança", justifica que mesmo com as investidas autoritárias de Bolsonaro, a mídia continua vibrante e que essa sucessão de desastres causados por Bolsonaro, têm servido ao menos para abrir os olhos da elite econômica brasileira, "que anteriormente o abraçava".

Leia Dossiê. Informação responsável e independente. Confira a entrevista completa: