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Industry (1ª temporada, 2020)

'Industry' é a melhor série que você ainda não assistiu.

Industry - Série da HBO (2020 até o presente) | Roteiro: Mickey Down e Konrad Kay | Direção: Lena Dunham e Tinge Krishnan | Em cena: Gus Sackey (David Johnson) e Robert (Harry Lawtey)

Os produtores do maior canal de TV fechado dos Estados Unidos – HBO – sabe onde pisam, sabe o que querem e quase sempre são visionários, isso fica claro diante de algumas produções que estreiam. Nem sempre eles visam a audiência, o foco das produções é sempre a qualidade, Succession (2018 – presente) é um exemplo. Os índices mostram que a série não possui um grande público, nem mesmo os prêmios da Academia de Artes e Ciências Televisivas de melhor série aumentaram esses indicies, o que quero dizer é, nem todas as séries são para “a massa”, nem todo mundo abraça ideias um pouco mais complicadas e Industry (2020 – presente) é um caso assim, uma trama um tanto mais complicada e que, infelizmente, ainda não foi abraçada por parte do público.


O mundo corporativo é o foco da série, a trama gira em torno de Harper Stern (Myha’la Herrold), uma recém-formada de Nova York que começa como trainee do Pierpoint & Co, banco de investimentos de Londres, países diferentes, trabalhos relativamente diferentes, tudo é novidade para Harper. Da pressão de estar num mundo ao qual ela não pertencia antes à dificuldade de fazer amizades com os outros colegas que participam do programa de trainee do Pierpoint. Apesar das dificuldades ela se aproxima mais de Yasmin (Marisa Abela), Robert (Harry Lawtey) e Gus (David Johnson). Está formada a “quadrilha” da Pierpoint.


O primeiro episódio, dirigido por Lena Dunham – criadora da excelente série Girls– criou toda uma atmosfera tensa, deixando claro logo nos primeiros minutos que o mundo corporativo é selvagem e que os personagens ali, irão passar por situações extremas, que o ser humano não passa de um número e que se ele não trouxer resultados, ele será descartado – claro que, no decorrer dos episódios, especialmente Robert mostra que, pra tudo se dá um jeito e não importa qual é esse jeito, não importa o que você tenha que fazer, se é dando um agradinho aqui, fazendo uma trapaça ali, saindo para jantar, passado a noite, transando com um ou outro, o que é importa é o fim.

Em cena: Harper Stern (Myha´la Harrold) e Greg Grayson (Ben Lloyd-Hughes)

O que não acontece com Harper, que fica incomodada com todo o assédio moral - em uma das cenas mais tensas da série, o chefe de Harper coloca ela em uma sala para um pequeno sermão que acaba tomando proporções avassaladoras para ambos - e se espanta ao ver que muitos dos colegas acham que esse tratamento faz parte do jogo pelo faturamento ーYasmin vive sendo humilhada pelo chefe Del, as cifras conseguidas soam como compensação para muitos deles, mas para outros, não existe humilhação, caso de Gus que, sabe do que seu talento é capaz e sempre usa isso ao seu favor.


O principal foco da série é expor os limites de trabalho das pessoas, especialmente os mais jovens e com ambições sem limites, todos os personagens são recém formandos, contratados por uma grande empresa, os funcionários mais antigos, como em qualquer outra empresa do mundo, deitam e rolam em cima dos novatos, colocam horas e mais horas para serem cumpridas, metas impossíveis de serem atingidas e os novatos, querendo mostrar serviço, acabam fazendo o impossível para que isso seja alcançado, e quando digo impossível, é impossível mesmo.


Existem também os limites emocionais aos frangalhos por tantos gritos e tanto desrespeito impostos no banco, sobra pouco para se dedicar a si. Poucos ali parecem ter vida própria: o celular está sempre a postos para receber a chamada do chefe e a cama pode virar mesa do escritório para terminar um projeto a qualquer momento.


O elenco e a direção são os grandes triunfos da série que, apesar de não atrair o grande público, já foi renovada para uma segunda temporada que deve estrear no final de 2021, se ainda não assistiu, faça pra logo, essa é foi de longe a melhor série de 2020.


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