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ESPECIAL: Telas BR - Um vício chamado Reality Show

Atualizado: 14 de out. de 2021

O Brasil tá lascado!

Kleber Bambam, vencedor do BBB 1, e sua boneca de sucata Maria Eugênia
 

TELAS BR é uma série especial de publicações da Dossiê etc, escrita por Cleber Eldridge, sobre o mundo audiovisual brasileiro, de 1990 a 2021;


 

O que define um Reality show, telerrealidade ou reality television, chame como quiser?


Os “realitys” são programas de televisão que tem como princípio mostrar a realidade com pessoas reais e em tempo real, especialmente quando essas pessoas tem personalidade forte, aquelas que causam polêmicas, tumultos e afins, quase nenhum dos programas que assistimos nas últimas duas décadas – o primeiro reality no Brasil foi ao ar no ano 2000 – é original, a grande maioria é uma “cópia” de outros programas já consagrados em outros países, mas embarque comigo na breve história dos programas que marcaram nossa história televisiva.


Os pioneiros

Zeca Camargo apresentando a primeira edição de No Limite, segurando a "mandala" um dos símbolos do programa.
Abertura do Reality Show "20 e poucos anos" da MTv

O primeiro reality foi ao ar no ano 2000 na já extinta MTV Brasil, o programa se chamava 20 e Poucos Anos, que não fez muito sucesso, mas que abriu caminhos para tornar esse tipo de programa solido em todas as outras emissoras. No mesmo ano a Globo estreava No Limite, que atualmente está no ar com ex-participantes do BBB – já falamos sobre ele – já na Band, estreava Território Livre ambos eram copias do premiado reality americano Survivor.


Os sucessos e a consolidação do formato:

BBB 21 - Arthur e Gil do Vigor

O Big Brother Brasil (2002 - presente) continua como o maior sucesso da televisão aberta, tanto quanto em audiência, quanto em repercussão nas redes sociais. O programa chegou à sua 21ª edição e continua um sucesso e não é pra menos, o púbico brasileiro se acostumou a, todo início de ano, acompanhar uma nova edição. Na edição do ano 2020, os produtores decidiram colocar pessoas “populares” no meio dos participantes e acabou que funcionou, a edição conseguiu bater o recorde de votos e até entrou para o livro dos recordes. A edição de 2021 fez ainda mais sucesso e apesar de não ter tido a mesma quantidade de votos em uma noite de eliminação, foi de uma repercussão absurda. Em meados de março e abril só se falava em Big Brother, em quem seria eliminado, nas falas dos famosos convidados para a edição, de preconceito, de cancelamento e afins, os indicies de audiências foram gritantes e pra surpresa de absolutamente ninguém, o programa foi renovado para mais uma edição em 2022 e nós brasileiros estamos como? Ansiosos!

Se o BBB é um sucesso entre o público de todas as idades e realidades, A Fazenda (2009 – presente) tem uma audiência mais fiel. O que estou querendo dizer é que, definitivamente não é todo mundo que assiste a disputa dos chamados fazendeiros, até porque eu sinceramente não entendo o conceito de dar dinheiro pra quem já tem dinheiro, o programa é basicamente colocar pessoas “famosas” – algumas delas eu nunca ouvi falar – dentro de uma fazenda e cumprir com algumas tarefas, a principal delas é alimentar os animais que ali ficam, mas o foco mesmo do programa é causar polêmicas, quem nunca ouviu falar dos barracos, brigas, tretas e afins, como eu não assisto não sei falar sobre (mas todo mundo sabe que tem).

Um dos barracos mais famosos d´A Fazenda, Andressa Urach e Mateus Verdelho em uma nojenta guerra de cuspes. | Foto: reprodução R7
Foto de lançamento da 1ª edição de A Casa dos Artistas

Muito antes disso, Silvio Santos apresentava A Casa dos Artistas (2001 – 2004), e o nome já diz tudo, era uma casa onde artistas eram convidados a ficar confinados e lidarem uns com os outros, o sucesso foi tanto que o programa conseguia mais audiência que o Fantástico, da Globo.


Os produtores entenderam o que fazia sucesso e então pensaram em fórmulas parecidas com as que já eram sucesso. O Power Couple (2016 – presente) fez parecido, colocou vários casais “famosos” dentro de uma casa, não precisa pensar muito pra saber o que acontecia já o De Férias com o Ex (2016 – presente), mandava ex-namorados para uma mansão na praia, o circo estava armado e a audiência, adora.


Outros formatos


Os combates diretos também tinham seu público, isso em diversas áreas, gastronomia, moda, esporte e tantos outros.

Os jurados do Masterchef: Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin, ao lado da apresentadora Ana Paula Padrão

Master Chef (2014 – presente) foi o primeiro reality gastronômico ou culinário do país, fez, e faz, muito sucesso. A competição entre estudantes de gastronomia tem um público muito fiel e não surpreende porque é, acima de tudo, um programa muito divertido, o sucesso foi tanto que a Globo, que ainda não tinha um programa de competição culinária – na verdade até tinha um quadro dentro do Mais Você, com Ana Maria Braga, o Jogo de Panelas (2012 – presente) mas ... – resolveu desenvolver o seu próprio programa, o Mestres do Sabor (2019 – presente) que é mais do mesmo e sem o carisma dos jurados do Master Chef; o SBT também embarcou sem sucesso com o Bake Off Brasil (2016 – presente), que segue a mesma cartilha só que para confeiteiros.

O programa Project Runway (Lifetime, Bravo) um reality americano que coloca designers de moda em uma competição – muito bom, diga-se de passagem – também foi copiado aqui no Brasil, chamado Projeto Fashion (2011), não deu em nada, foi cancelado depois de uma única temporada, já na Record Top Model (2012) que mostrava a rotina das top models também não fez sucesso e teve o mesmo destino de Projeto Fashion, já no SBT o Esquadrão da Moda (2009 – presente),foi mais feliz, fez um certo sucesso com quem é mais fiel ao canal, porque cá entre nós, o programa é terrível muito por causa dos apresentadores.

Esquadrão da moda com Arlindo Grund e Isabella Fiorentino

O cotidiano da polícia também teve espaço com o Policia 24hrs (2010 – presente) que mostrava a polícia nas ruas, as abordagens, mas não mostrava o quanto ela é violenta. O programa tem seu público, mas não é grande coisa. A Band também conquistou seu público com O Aprendiz (2019 – presente) um reality que mostra aspirantes a empreendedores e executivos que realizam as mais diversas provas entre um escracho e outro que recebem do apresentador, Roberto Justus.

Os realities musicais também fizeram e fazem muito sucesso. Quem não se lembra de Fama (2002) ou Ídolos (2006 – 2013), ambos com o mesmo formato, só mudou o nome, era um programa de calouros que colocava jovens talentos em frente a uma bancada de júris e treinadores que os apoiavam na preparação das apresentações que definiam quem seria o eliminado da semana.


O sucesso da vez é o The Voice (2012 – presente), a única diferença aqui é que os jurados ficam com cadeiras viradas, o melhor desses realities era o Super Star (2014 – 2016), com uma dinâmica mais interativa e votação por aplicativo em que o público escolhia os vencedores, não os jurados, mas a Globo, infelizmente, resolveu não renovar.

Ellen Oléria, vencedora da 1ª edição do The Voice Brasil

São tantos os programas com seu público que eu poderia ficar aqui por horas a fio, tem quem goste e um estilo, tem que diga que nunca assistiu nenhum episódio do Big Brother Brasil, tem quem diga que quem gosta de reality show é desocupado, tem quem seja viciado e ame, tem gosto pra tudo e como eu costumo dizer, tá tudo certo, cada uma na sua televisão assiste o que quiser e quando quiser. Agora me diga, qual seu reality favorito?


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