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A rápida e corrosiva corrupção Brasileira

De rios invadidos por garimpeiros a governadores afastados. Revelações bombásticas explodem diariamente

Balsas do tamanho de casas, formaram um garimpo ilegal em meio ao rio madeira. Estima-se que haja até 1800 criminosos realizando garimpo ilegal apenas nessa concentração | Foto: Bruno Kelly/Greenpeace/AFP

A República Federativa do Brasil, onde vivemos, nunca foi exemplo de respeito a gastos públicos, deixando também muitíssimo a desejar nas posturas parlamentares, com danças, gestos obscenos e assédio, além de outras tantas afrontas ao povo que os sustenta, obrigado a ver isso nas tv’s, nos vídeos, nos jornais.


Ainda assim, bastante reveladora é a continuidade do desmazelo e, assombrosamente mais avolumado, surgindo a todo instante como se uma avalanche de descaso e enriquecimento ilícito fosse pertinente aos cargos e de merecimento à nação que vem assistindo a tudo isso de forma atônita e incrédula.


O Governador Mauro Carlesse foi afastado do cargo em 20 de outubro de 2021, por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça). já que é alvo de duas investigações que apuram desvios de até 40 milhões de reais. | Foto: Esequias Araújo / reprodução

Os exemplos são cruéis em várias esferas do governo, com a Municipalidade, Estado e União. As revelações sobre as atitudes do governo de Tocantins são uma belíssima amostra da forma articulada em que a falcatrua se expande, em elos que vão permitindo desvios e desmandos em várias áreas, com o afastamento do próprio governador, após evidências bombásticas, incluindo fazendas, gado, insumos e até a construção de um aeroporto, no Jalapão.


No rio Madeira, centenas de balsas num suposto (ou quase certo) garimpo ilegal, levaram mais de 15 dias para aparecerem após denúncias, como se estivessem flutuando num planeta que não seria esse, graças à invisibilidade que tomou conta das mesmas. Estragos no rio pela extração ilegal e uso de mercúrio, inclusive, devem ficar escondidos em alguma gaveta até que, quem sabe um dia...


Qualquer país com tonalidades mais sérias que as nossas, tomaria atitudes rápidas e cercadas de jurisdição que, no mínimo, renderiam bons anos de cadeia a seus responsáveis.


É inegável que a maior parte da população brasileira não faça ideia do volume absurdo de dinheiro desviado e, os que conseguem enxergar esses crimes, ficam também de mãos atadas, com exceção de grupos sérios que, de alguma forma, fiscalizam esses descasos, denunciando-os e, com sorte, barrando sua continuidade. Por outro lado, o que se sabe é que necessitaríamos de gigantesco grupo fiscalizador, uma vez que a velocidade e tamanho desses descalabros são de fazer inveja a muitos ditadores espalhados por aí.


Após ser preso meses antes da corrida presidencial de 2018, da qual tinha a liderança das pesquisas e permanecer mais de 500 dias na carceragem da Polícia Federal, Lula é inocentado de todas as acusações, recupera seus direitos políticos e é recebido por Emmanuel Macron, presidente da França, com honras de chefe de Estado.

Nem seria o caso de falar em séculos de corrupção. Basta imaginar que nas últimas cinco décadas nós continuamos com falta de saneamento, estradas que provocam mortes, além da necessidade de horas para pequenos percursos, camas hospitalares com ferrugem dando uma amostra de muitas estruturas na saúde, escolas deterioradas, policiais sem segurança, professores sem salário digno, incluindo-se também tudo se que vê nas cidades sertanejas com sede e fome. As favelas viraram comunidades, como se não fossem antes, e continuam repletas de sofrimento e vida árdua, o mais longe possível de quem não quer enxergar e ajudar. Os estragos só não foram maiores porque dentro desses períodos pudemos contar com um governo inédito, certeiro nas políticas públicas e engajado numa evolução do país, que assustou aos que não querem pobres em ascensão, culminando com sua prisão, tão sórdida quanto fraca e sem base legal. Um verdadeiro caso de estudo que abriu portas ao mais estrambólico tipo presidenciável solto na praça.


Hoje voltamos a ver pessoas obrigadas a se deslocar em transporte clandestino entre estados, numa esperança de vencer os desafios até chegarem a seus familiares, dentro do que podem pagar pela passagem. Em diferente forma, Brasília tem um dos aeroportos mais movimentados do país, com muitos de seus viajantes tendo suas passagens pagas pelas famosas verbas, distribuídas com a mesma generosidade que guardam a sete chaves, para os seus, somente.

Os presidentes do Senado (Rodrigo Pacheco - PSD) e da Câmara (Arthur Lira - PP) alegam não terem como apontar de onde partiram os pedidos de emendas, nem dar a a transparência necessária aos atos do passado, como solicitados pela Ministra do STF, Rosa Weber. Sugerem que a transparência seja aplicada somente daqui em diante e que o passado recente com recordes históricos de distribuição de emendas secretas do relator seja ignorada | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O acordar da população parece estar ainda bem distante da realidade, mas, como toda esperteza um dia come seu próprio dono, já existem fortes indícios de que candidatos que expressaram suas mazelas de forma ostensiva e ridícula correm sérios riscos de não receberem mais os votos que antes contavam como certos. Associar a crise de um país a questões econômicas globais pode até fazer sentido, mas é primordial que políticos corruptos, altamente culpados pelo agravamento da economia do Brasil, sejam sim desmerecidos nas urnas, graças a uma maior conscientização não só política, mas pessoal.