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Aids X Covid-19:

Qual é a doença mais perigosa?

Por Antônio Porto, 11 de março de 2021

A Aids, sigla em inglês para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, ou Sida em português, é, sem sombra de dúvidas, uma doença terrível. Ela simplesmente destrói seu sistema imunológico e, a partir daí, muitas doenças que são vistas como pequenos incômodos e são praticamente inofensivas ao organismo humano, passam a se tornar uma ameaça mortal a esse organismo convalido pela doença que simplesmente destrói o sistema que deveria proteger o organismo. E claro, isso não é nenhuma novidade e é por isso que usar preservativo é um hábito tão comum nos dias de hoje. Mas se somos tão cuidadosos para evitar a contaminação pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), porque somos tão descuidados com doenças tão ou mais graves como a covid-19?

ATENÇÃO:

Esse artigo, em momento algum deseja passar errônea impressão de que o HIV e Aids não são perigosos. Tampouco tem por objetivo estimular o abandono dos métodos preventivos que são de fundamental importância na luta pela erradicação do vírus. O que se busca com esse texto é apontar com precisão, informações sobre as duas doenças, permitindo aos leitores, perceberem na Sars-Cov-2 um vírus tão, ou mais perigoso que o HIV. E que toda a atenção e disposição para aderir aos métodos preventivos do Sars-Cov-2 e Covid-19 deveriam ser levados com a mesma seriedade com que se leva os métodos preventivos contra o HIV e a Aids.

À menor suspeita de qualquer uma das doenças citadas, procure o serviço médico!

Aids: História e características.

 

Antes de começar essa reflexão, a primeira informação relevante é esclarecer que HIV e Aids não são a mesma coisa, bem como Sars-Cov-2 e Covid-19 também não são. HIV e Sars-Cov-2 são vírus, patógenos que carregam em si informações genéticas que uma vez instaladas no corpo humano podem, ou não, causar doenças denominadas, respectivamente, de Aids e Covid-19.

As primeiras transmissões de HIV para humanos, pode ter ocorrido por volta de 1930 e entende-se que a origem mais provável da doença, seja o vírus SIV encontrado em chimpanzés e algumas outras espécies de primatas e só se espalhou pelo mundo a partir dos anos 60 e 70 quando movimentos bélicos no continente aumentara a circulação de soldados e trabalhadores de outros lugares do mundo na África, onde, por conta da cultura de algumas tribos em domesticar esses animas, especula-se que tenha sido a origem do HIV, vírus primata mutado, que conseguiu entrar em organismos humanos.

 

Nesse momento é que o vírus HIV e a doença proveniente dele, a Aids, entraram no vocabulário dos habitantes dos demais continentes. Porém, o entendimento mais preciso da doença demorou mais algum tempo para acontecer, e foi com a evolução da ciência que se descobriu o que era a Aids, qual era o vírus que a causava, como ela atacava o organismo humano e até as formas mais efetivas de se combater.

 

Em 1981 a Aids foi reconhecida como doença, somente em 1983 o vírus HIV é completamente isolado e isso abre as portas para o estudo de vacinas e remédios. Em 1985 testes sorológicos chegam ao mercado para detecção precisa do vírus e em 1987 foi criado o primeiro remédio capaz de combater os efeitos do vírus no corpo.

HIV x Sars-Cov-2

Tanto HIV, quanto o Sars-Cov-2 são vírus, porém, com muitas diferenças entre um e outro. O HIV é um vírus com origem em primatas, enquanto o Sars-Cov-2 é um vírus com provável origem em morcegos e pangolins. Mas as diferenças não param por aí.

 

A forma de contágio também é bastante diferente. Para que uma pessoa seja infectada pelo vírus HIV, é necessário que as células presentes no sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno de uma pessoa infectada, tenham acesso livre ao organismo de outra pessoa. Algumas das formas de isso acontecer é através de relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de seringas e outras formas, já erradicadas no Brasil, como transfusão de sangue e transplante de órgãos. Essa condição torna o vírus bem difícil de circular nos dias de hoje, embora eventualmente alguns índices de contaminação aumentem devido a falta de cuidados básicos das pessoas, principalmente em atos sexuais.

 

Já a forma de contaminação da Sars-Cov-2 é bem mais sutil, tão sutil quanto o ar que encosta no seu olho agora. Sentiu? Não né?!
Pois bem, o Sars-Cov-2 é assim. Muito pequeno, à partir de 50 nm (nanômetros), o vírus tem a capacidade de permanecer ativo e suspenso no ar por mais de 3 horas. Portanto, para contrair o vírus, basta respirar no lugar errado e na hora errada. Para resolver isso o uso de máscaras adequadas pode ser o suficiente para, atualmente a União Europeia e os EUA recomendam o uso simultâneo de 2 máscaras, sendo a com melhor característica filtrante por baixo, PFF2 ou N95, as únicas eficientes contra um vírus tão pequeno, e as máscaras de tecido/caseiras, por cima. Porém, tão sutil quanto o ar que toca seu olho sem você sentir, o vírus suspenso no ar pode sutilmente repousar sobre a sua retina e uma piscada é suficiente para que o vírus tenta contato com uma mucosa viva e passe a se multiplicar pelo seu corpo.

 

Esse consenso já está tão aceito, que pesquisas já dão conta de que pessoas que usam óculos regularmente, têm 3 vezes menos chances de contrair a covid-19. Isso ocorre por quê os óculos serve de barreira física contra as partículas frontais e eventualmente evitam que as pessoas coloquem as mãos nos olhos com tanta frequência. Um paralelo que facilita esse entendimento, é o uso de óculos por motoristas e ciclistas. Os óculos reduzem o contato do ar com a vista e por isso os incômodos relativos à vista seca, são menores. Se menos ar entra em contato com os olhos, menores serão as chances de contágio por essa via.

 

Logo a conclusão é fácil, a transmissão do HIV é muito mais difícil de ocorrer devido às necessidades objetivas para o vírus se instalar. Logo a prevenção é bem mais simples, em suma, basta “encapar o bicho”; enquanto a transmissão do Sars-Cov-2 é bem mais cruel, o simples ato de suspirar por alguém – desculpe o trocadilho-, o simples ato de respirar, ou manter os olhos abertos, mesmo sem nenhum contato físico, pode ser o suficiente para te contaminar.

Os infames 2m (dois metros):

 

No início da pandemia, com muito pouco conhecimento sobre a doença, convencionou-se afirmar que o melhor tratamento seria a higienização das mãos, foi quando gerou aquela busca assustadora por álcool em gel. Até então se acreditava que a contaminação se daria apenas por secreções líquidas que poderiam ser transferidas por contaminação indireta. Por exemplo: alguém espirra e cobre com a mão, depois encosta essa mão no corrimão, deixando o vírus exposto para outras pessoas tocarem e quando coçassem o nariz se contaminariam também.

 

Porém, esse é o entendimento primário. Nesse entendimento primário os dois metros serviam para que os perdigotos (baba) que sai da boca da outra pessoa quando ela fala tivessem espaço para alcançar o chão tem tocar na pessoa com quem se conversa. Conforme dito, esse é um entendimento primário que não tem espaço para discussão com os estudos que se sucederam.

Com o altíssimo velocidade de contágio, alguns pesquisadores desconfiaram que a contaminação devia ser mais simples do que isso. Rapidamente pesquisadores do mundo todo perceberam que aquela velocidade de contaminação não era comum com contaminação cruzada, o vírus se propagava pelo ar. Os alertas chegavam de todas as direções para a Organização Mundial de Saúde (OMS) que demorou quase 4 meses para aceitar e passar a divulgar essa tese, talvez por medo. Por medo de pânico e seus respectivos impactos na economia. A partir de março a OMS e governantes de todo o mundo já tinham conhecimento sobre as novas formas de transmissão e por isso as máscaras passaram a ser itens obrigatórios, mas ainda assim, só assumiram oficialmente a contaminação pelo ar em julho de 2020. A partir daí, entendeu-se que, se o ar chega, o vírus chega e, portanto, a única forma de parar a transmissão do vírus é com o isolamento social, que nada tem a ver com os dois metros, tem a ver com cada um ficar em suas casas com o menor contato possível com outras pessoas e ares que tenha sido respirado por outras pessoas.

Cheirinho de contaminação:

 

O odor se propaga de uma forma muito semelhante ao do vírus. Quando sentimos cheiro de algum alimento, o que sentimos na verdade são partículas de alimentos que estão sendo lançadas no ar, geralmente, pelo processo de fervura, porque as temperaturas mais altas favorecem a flutuação dessas partículas. Essas partículas entram em contato com o ar e são literalmente carregadas, flutuando, pelo caminho que esse ar percorrer. Então, quando você sente o tempero do seu vizinho perto da hora da janta, significa que o ar circulou de forma que algumas partículas do refogado de alho e cebola, foram capazes de chegar até a sua casa e se as partículas de cheiro chegam, as partículas virais também chegam.

 

Mas calma, isso é um parâmetro, não uma sentença. O ar que respiramos está cheio de impurezas e organismos como vírus e bactérias e somos feitos para aguentar isso. Para nos adoentarmos, é necessário que uma certa concentração viral esteja naquele ar que respiramos, ou que toca nossos olhos e isso não tem como medir. A melhor forma de entender o quanto risco se corre é o parâmetro do cheiro. Quanto mais forte o cheiro, maior o risco.

 

Um exemplo: Eu moro no 6º andar. às vezes, quando um vizinho acende um cigarro, eu sinto um pequeno odor característico. Porém, é um pequeno odor. Isso significa que as partículas estão muito diluídas no ar e têm pouco potencial de me causar danos, portanto, se houver partículas de vírus chegando na mesma intensidade, isso não é tão perigoso, também estará bem diluído.

 

Calcular a distância mais segura também não é muito difícil:

 

Se você fuma, pense: seria um cheiro suficiente para eu sentir vontade de fumar também? Se a resposta for sim, então é uma distância muito perigosa, ainda que seja maior que 2 metros.

Se você não fuma, pense: Será que a essa distância minha roupa ou cabelo vão ficar fedendo? Se a resposta for sim, então essa distância é muito pouco segura.

 

Esse exemplo se justifica porque aquele fedor nas roupas de quem ia para a balada antes das leis antifumo, eram as partículas do cigarro dos outros depositada em toda a sua roupa, seu cabelo, sua pele e com certeza em seus pulmões. Se você for para a balada hoje, vai voltar com a mesma quantidade de Sars-Cov-2 depositados na sua roupa, no seu cabelo, na sua pele e com certeza ABSOLUTA, nos seus pulmões. Mas ao contrário do cigarro, o vírus não tem cheiro.

Atuação no corpo e formas de tratamento das duas doenças:

 

Até aqui vimos que o Sars-Cov-2 é bem mais transmissível do que o HIV, mas e depois que os vírus são contraídos, o que acontece?

 

Ambas as ações começam silenciosas, sem sintomas no começo. O primeiro comportamento de qualquer patógeno é tentar se multiplicar em nosso organismo. Nesse momento, nossos organismos usam suas memórias celulares para tentar combater os patógenos e nesse momento as estratégias dos vírus são diferentes.

 

No caso do Sars-Cov-2 o vírus invade a célula, muda sua programação genética e faz com que a célula passe a fabricar vírus muito mais vírus, assim, mesmo uma carga viral insignificante se transforma rapidamente em um poderoso exército viral. Dessa forma o vírus se espalha pelo corpo, corrompendo mais e mais células. Em muitos casos o sistema imunológico consegue combater o vírus rápido o suficiente para que ele pare de se multiplicar e seja expelido pelo organismo. Esse cenário é o mais bonito de todos, é o caso dos assintomáticos. Pessoas que podem transmitir o vírus, mas não sabem, porque não chegaram a adoecer ou apresentar sintomas desse adoecimento que também pode ser discreto, através por exemplo da queda da saturação de oxigênio no sangue. Isso pode ocorrer antes que o paciente tenha qualquer sintoma que o alerte para a presença do vírus, até que a baixa oxigenação causa desmaios e outros tipos de mal estar.

 

Quando a defesa do organismo falha, então o vírus se multiplica e toma conta do dos mais diversos sistemas. Já se tem, na breve literatura sobre a doença, casos de infecção de rins, fígado, sistema nervoso, pulmão e coração, causando colapsos dos mais diversos níveis de gravidade em todos esses órgãos. É a falência ou grave comprometimento das funções desses órgãos que levam as pessoas a óbito, ou causam uma confusão tão grande no sistema imunológico que o organismo sofre com a presença excessiva de glóbulos brancos no sangue.

 

Até hoje não há nenhum tratamento efetivo contra a doença. Nos hospitais algumas medidas paliativas são tomadas para tentar melhorar a ventilação e consequentemente a saturação de oxigênio no sangue, mas já se sabe que dentre os casos graves da doença, aqueles que precisam de UTI, 67% nunca saem de lá. Morrem antes de ter alta médica e dos 33% que chegam a sair do hospital, cerca de 40% voltam a ser internados e 25% morreram nos 6 primeiros meses de acompanhamento do quadro de recuperação, elevando os óbitos dos casos graves de UTI para quase 75%.

 

Não há nenhum remédio com capacidade de cura e o processo de vacinação ainda é muito incipiente na maior parte do mundo. Os países mais pobres podem levar até 3 anos para serem vacinados, estimam os especialistas. Isso, é claro, se as vacinas atuais continuarem se mostrando eficazes contra as novas cepas/variantes do vírus. Alterações genéticas que podem mudar características genéticas do vírus, dando a eles a capacidade de, por exemplo, combater os anticorpos gerados pelas vacinas.

Mas e o HIV, hein?

O HIV, após seu surto nos anos 80, até 2019, já foi responsável por mais de 25 milhões de mortes em todo o mundo, o que mostra que não está para brincadeira, afinal, é transmissível através de uma das práticas mais prazerosas que se tem notícias, mas é sabido também que desde o início dos anos 2.000 as taxas de contágio e mortalidade estão em curva descendente.

 

Quando o HIV acessa o organismo e começa a se multiplicar, diferentemente do que faz o Sars-Cov-2 que ataca os diretamente os órgãos, o HIV ataca o sistema imunológico e deixa o organismo aberto a infecções oportunistas. A doença também possui algumas formas diferentes de se manifestar: Essa infecção pode ser assintomática, fazendo com que a pessoa conviva e transmita o vírus por anos sem saber que o faz; até as formas mais severas que geram feridas na pele e mucosa viva, até o enfraquecimento, perda de peso e adoecimento agudo por doenças oportunistas, levando os pacientes a quadros críticos.

 

Hoje o combate à doença é muito efetivo. Apesar de ainda não ter cura, campanhas recorrentes reforçam a importância de usar preservativos, fazer o teste após relações de risco e até orientam o tratamento precoce com medicamentos antirretrovirais que quando consumidos rapidamente após a relação de risco, podem impedir a reprodução do vírus e inviabilizar o adoecimento. Há uma observação sobre efeitos colaterais incômodos pelo uso do coquetel, mas ainda assim é importantíssimo para prevenir novos casos da doença.

 

Em fase avançada de implementação, a estratégia PrEP, sigla para Profilaxia Pré-Exposição, vem ganhando espaço. O método se resume a um tratamento preventivo com o emprego de dois medicamentos combinados (tenofovir + entricitabina) em frequência diária, para que presentes na corrente sanguínea sirvam de barreira para a instalação do vírus. No Brasil, profissionais do sexo e outros grupos de comportamento sexual de risco já têm acesso pelo SUS e esse método se mostra efetivo na redução de taxas de infecção, embora não previna de outras infecções sexualmente transmissíveis como sífilis, clamídia e gonorreia.

 

Quando todos os métodos preventivos falham ou são negligenciados, abrindo espaço para o vírus se instalar no organismo, então ainda há como recorrer a um tratamento gratuito, no qual o Brasil é modelo mundial, de estabilização do vírus. Esses tratamentos possuem diversos índices funcionais e consistem no uso de um coquetel de medicamentos contendo diversos tipos de medicamentos inibidores como inibidores Nucleosídeos da transcriptase reversa, não nucleosídeos da transcriptase reversa, inibidores de protease, de fusão, de entrada e da integrasse. Esse coquetel faz tudo que o organismo precisa para não sofrer com a falta do sistema atacado pelo HIV.

 

Infelizmente ainda não há vacinas em circulação comercial, mas ensaios promissores começam a chegar a terceira fase de testes nas populações expostas ao risco e pode ser que em até dois anos algumas vacinas cheguem ao mercado, isso sem falar em notícias de tratamentos experimentais que ano após ano apresentam resultados mais promissores e deixam esperanças de cura ainda maiores.

Ainda que nenhuma dessas promessas se confirmem, hoje, com os medicamentos existentes já é possível inativar e interromper a ação do vírus no organismo fazendo inclusive com que o vírus, na maioria dos casos em tratamento com antirretrovirais, não seja sequer transmitido em eventuais acidentes e chega a ser invisibilizado em alguns tipos de exame, mantendo o hospedeiro do vírus seguro e com uma qualidade de vida satisfatória por décadas.

Fatos e números das doenças:

 

Dados do programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) dão conta de que até 2019 existiam 38 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, sendo que dessas, 25 milhões de pessoas estão sendo tratadas com terapia antirretroviral. Essas pessoas com acesso ao tratamento tendem a levar suas vidas normalmente sem que o vírus tenha qualquer influência em suas vidas. A olho nu é praticamente impossível identificar a pessoa que vive com o HIV e as pessoas que não vivem e vale lembrar que as pessoas que incluídas na terapia antirretroviral não oferecem nenhum risco à sociedade, nem aos seus parceiros sexuais.

 

Longe de ser uma doença inofensiva, durante décadas sem um tratamento eficaz, estima-se que o vírus HIV tenha ocasionado mais 33 milhões de mortes. A mesma estatística dá conta de que apesar de todos os esforços em prevenção e tratamentos, todos os anos, aproximadamente 1,7 milhão de pessoas contraem e são detectadas com o vírus e 690 mil têm mortes relacionadas a doença todos os anos.

 

Mas o Sars-Cov-2 é um concorrente a altura. Misterioso e com uma enorme capacidade de multiplicação, a partir do momento que acessa o hospedeiro se multiplica e automaticamente passa a ser expelido por fezes, urina, saliva e pelo aerossol expelido durante a fala e a respiração. Isso fez com que apenas em seu primeiro ano o vírus fosse localizado em mais de 117 milhões de pessoas até 09 de março de 2021. Dessas pessoas infectadas, mais de 2,6 milhões morreram, uma taxa de mortalidade baixa, mas em um volume altíssimo.

 

Para fins de comparação, o pico mais alto de mortes relacionadas ao HIV aconteceu em 2004 com 1,7 milhões de mortes; esse foi o número que a Covid atingiu apenas no primeiro ano de circulação.

 

O maior risco:

 

Diante da riqueza de dados e informações já existentes sobre os dois riscos, podemos concluir que HOJE o Sars-Cov-2 é muito mais perigoso e contagioso do que o HIV e devido à falta de clareza sobre as formas como lidar com a doença, somado aos riscos de mutação e apoiados nos dados atuais, podemos concluir que HOJE a máscara é um equipamento de prevenção tão ou mais importante do que preservativos, testes sanguíneos e medicações usados no controle da circulação do HIV. E nesse ponto, nos cabe recomendar que as formas de prevenção sejam padronizadas. O vírus é dos menores que se tem conhecimento e não é qualquer trama de tecido que é capaz de contê-lo. Se para conter o espermatozoide – até 54 vezes maiores – ou o HIV – até 2x maior – , nenhum órgão regulatório permitiria a confecção de preservativos que apresentassem a possibilidade desses corpos ultrapassarem essa barreira, então porque é que continua se admitindo que se comercialize máscaras “freestyle” onde vale tudo: tule, tricô, pet, jeans, algodão e outros materiais completamente alheios ao bom senso e comprovadamente ineficientes, algumas até falsificadas.

Apesar de ser um vírus novo, estamos presenciando a maior força tarefa científica da história, para desvendá-lo. Isso significa que temos grandes chances de erradicá-lo em talvez 2 ou 3 anos, a depender da evolução das cepas. Mas atualmente, além de não ter tratamento eficaz, é uma doença que se alastra rápido demais e mata em um período de 10 a 30 dias após o contágio, em contraste com os meses e até anos que podem levar para que o HIV seja percebido pelo hospedeiro.

 

O CENÁRIO BRASILEIRO

 

No Brasil o Sars-Cov-2 dá uma lavada no HIV. Estima-se que atualmente haja mais de 900 mil pessoas vivendo com HIV. Dessas, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, 89% foram diagnosticadas e 77% estão em tratamento com antirretroviral e ao todo, estima-se que 665,9 mil vivam no Brasil, em condição de saúde tão normalizada, que sequer transmitem o vírus para outras pessoas. O número de novos casos também não é tão ruim, atualmente em torno de 40 mil novos casos de HIV e aids são detectados anualmente e apenas 10 mil pessoas foram a óbito por doenças relacionadas a Aids.

Do outro lado, o vírus responsável por causar a covid-19, em apenas um ano, matou mais de 250 mil pessoas no Brasil, 25 vezes mais mortes em apenas um ano além de ter contaminado mais de 10 milhões de pessoas e deixar sequelas ainda desconhecidas e imprevisíveis.

Com casos já confirmados de reinfecção por diferentes variáveis e a recente descoberta de que é possível se contaminar com duas cepas diferentes do vírus ao mesmo tempo, podemos prever um período de grande esforço de vacinação, isolamentos sociais severos e muito trabalho para os médicos que agora têm um novo desafio. Talvez precisem, daqui para a frente, se preocupar em proteger uns pacientes dos outros.

Enquanto não se tem soluções definitivas para o problema, o melhor caminho é o isolamento social severo, o lockdown. Nosso medo precisa ser o medo que teríamos se o HIV se espalhasse pelo ar, porque o Sars-Cov-2 já se provou muito mais terrível, contagiante e mortal do que o HIV jamais foi.

 

Agora, mesmo que depois de tantas explicações em detalhes e dezenas de fontes confiáveis confirmarem a Covid-19, hoje, é um risco maior que a Aids, você ainda ficar com o pé atrás, lembre-se que mais do que perigosa, a Aids permanece estigmatizada, principalmente porque a contaminação anal e sexual de um modo geral. Logo existe uma repulsa irracional contra pessoas com HIV, um preconceito que inicialmente surgiu por falta de informações, já que a ciência naquela época tinha muito menos recursos e equipamentos para pesquisas, mas que se mantém até os dias de hoje, muito baseado em cima de preconceitos incabíveis para o nosso tempo. Portanto, se equivocadamente, na rusticidade da ciência do passado, a Aids já foi estigmatizada como a doença dos gays, nos tempos atuais, em pleno século XXI, com a abundância tecnológica e de recursos científicos disponíveis, já se tem a certeza de que a Covid-19 é a doença de todos que respiram, assim como a Aids é a doença de todos que transam.

 

Cuide-se e cuide de quem você ama. Use máscara, evite aglomerações, fique em casa e use camisinha! A Aids não é mais o bicho de sete cabeças que já foi, é apenas uma doença forte que, por preconceito, ignorância – embora seja uma redundância – e falta de recursos científicos, foi negligenciada por anos, mas que agora tem tudo para ter um final feliz. Já a Covid-19, quem viver verá.

Essa matéria é apenas uma prévia do que vem por aí.

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